Bolsonaro diz que vai tirar posto de patrono da educação de Paulo Freire

Reconhecido no mundo inteiro por suas obras dedicadas à alfabetização e à educação da população pobre, Paulo Freire é alvo de ataques do governo do presidente Jair Bolsonaro, que defende a troca do título de patrono da educação brasileira, concedido em 2012

Bolsonaro diz que vai tirar posto de patrono da educação de Paulo Freire
Bolsonaro diz que vai tirar posto de patrono da educação de Paulo Freire (Foto: Reprodução )

247 - O governo do presidente Jair Bolsonaro escolheu Paulo Freire, patrono da Educação brasileira, como inimigo. Em entrevista divulgada na redes sociais, Bolsonaro afirma que vai retirar o título concedido ao educador e filósofo como patrono.

Ao ser questionado sobre seus planos na educação, Bolsonaro disse, sem citar o nome do educador, que procurava outro nome para ocupar o cargo de patrono.

"Quem sabe nós temos uma patrona da Educação e não mais um patrono muito chato, não precisa falar quem é, que nós temos até o momento. Ele vai ser mudado, estamos esperando alguém diferente", disse.

Freire foi reconhecido em 2012 como patrono da Educação brasileira por uma lei federal sancionada pela então presidente Dilma Rousseff, originada de um projeto apresentado pela deputada Luiza Erundina (PSOL-SP). O educador dedicou parte de sua vida à alfabetização e à educação da população pobre.

Um dos fundamentos do método de alfabetização de Paulo Freire é o estímulo de alunos a refletirem sobre sua realidade. Talvez seja esse um dos motivos de incomodar tanto Bolsonaro e seu guru ideológico, o astrólogo Olavo de Carvalho.

Diferentemente das teses de Bolsonaro e seu aliados, a obra de Paulo Freire não é uma doutrinação da esquerda do PT. "A Pedagogia do Oprimido", obra mais conhecida de Paulo Freire, foi traduzida em mais de 20 idiomas, e um levantamento feito em 2016, pela London School os Economics, afirma que é a terceira obra mais citada em trabalhos na área de humanas, sendo ainda o único título brasileiro na lista dos cem mais referenciados por universidades de língua inglesa.

Mas a artilharia da fake news do clã Bolsonaro tem mirado contra Paulo Freire desde a campanha. Nas últimas semanas, o educar foi alvo do presidente, do ministro da Educação, Abranham Weintraub, e dos filhos do presidente.

 

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