Bolsonaro e governador são culpados por caos em Manaus: ‘eles se merecem’, diz Vanessa Grazziotin

"Em termos de responsabilidade eu colocaria o governador e Bolsonaro juntos. Eles se merecem. O governador é incapaz de cobrar o governo federal e não se preparou para enfrentar a crise", diz a ex-senadora pelo Amazonas Vanessa Grazziotin

(Foto: Divulgação)
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Eduardo Maretti, Rede Brasil Atual - Para a ex-senadora pelo Amazonas Vanessa Grazziotin, o caos sanitário em Manaus, que comoveu o país, é igualmente responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro e do governador Wilson Lima (PSC). “O Brasil e o mundo só começaram a prestar atenção quando colapsou e faltou oxigênio, mas desde o começo dessa nova onda falta tudo nas unidades de saúde”, diz. “Em termos de responsabilidade eu colocaria o governador e Bolsonaro juntos. Eles se merecem. O governador é incapaz de cobrar o governo federal e não se preparou para enfrentar a crise.”

No final do ano, Wilson Lima cedeu a pressões de empresários e decidiu autorizar a reabertura do comércio não essencial – como bares, restaurantes, lanchonetes, lojas de conveniência e flutuantes – a partir do dia 28 de dezembro, revogando decretos restritivos anteriores. Manifestações populares também exigiam que o comércio abrisse no período de festas. O governador preferiu ceder a resistir em nome do que aconselhavam especialistas de todo o país, alertando para um aumento exponencial de novos casos em janeiro caso um isolamento não fosse respeitado.

Na ocasião, o bolsonarismo comemorou o recuo de Lima. Como a deputada federal de extrema direita Bia Kicis (PSL-DF), por exemplo. “A pressão do povo funcionou tb em Manaus. O governador do Amazonas, @wilsonlimaAM voltou atrás em seu decreto de lockdown. Parabéns, povo amazonense, vcs fizeram valer seu poder!”, publicou a parlamentar, no Twitter.

“Embora noticiário alarmista, Manaus tem queda importante de óbitos desde julho, mostrando uma imunidade coletiva (de rebanho em formação)”, escreveu o deputado Osmar Terra (MDB-RS), em 4 de janeiro.

Como de praxe, o presidente da República não assumiu nenhuma responsabilidade e culpou o governador por não prever a falta de oxigênio para evitar o caos em Manaus. Mas o governo Bolsonaro sabia da situação crítica de esvaziamento do estoque de oxigênio nos hospitais de Manaus com pelo menos seis dias de antecedência.

“Povo diz que tem que trabalhar”

A capital amazonense é um reduto bolsonarista. “Muita gente diz que a culpa não é de Bolsonaro. A gente fala de isolamento e o povo diz que ‘tem que trabalhar’”, afirma Vanessa. “Manaus é isso. É impressionante como o negacionismo e essas ideias atrasadas avançam. Até nisso a responsabilidade é da União e do governo estadual.” A ex-senadora pelo PCdoB lembra que o auxilio emergencial acabou e Bolsonaro, até o momento, se nega a prorrogá-lo.

“Se prorrogasse, as pessoas se resguardariam mais e toda a coletividade se beneficiaria. Acho que a queda de popularidade de Bolsonaro se deve ao fim da ajuda emergencial”. Segundo pesquisa XP/Ipespe, a avaliação negativa – ruim e péssimo – de Bolsonaro subiu de 35% para 40%, na comparação com o levantamento anterior, de 20 de dezembro, enquanto o percentual de entrevistados que o consideram ótimo e bom caiu de 38% para 32%.

Mas há uma questão importante, para ela. “Eles (bolsonaristas) têm uma comunicação muito forte, é impressionante como respondem nas redes. Têm um nível de comunicação que estamos longe de alcançar. Se ele ampliar o auxilio emergencial, volta ao patamar de aprovação anterior. Senão, não.”

Vanessa afirma que a situação de caos em Manaus foi relativamente contornada devido a muita ajuda da sociedade. “Está se conseguindo manter o oxigênio, mas tem sempre o risco iminente de a demanda aumentar um pouco e voltar tudo aquilo de novo. Com o nível de contaminação que, ao que tudo indica, tem lá, a gente vai viver mais umas duas semanas com problemas graves.”

Impeachment

Ela afirma que, pessoalmente, “gostaria muito” de que fosse desencadeado um processo de impeachment mas, “com o Congresso de hoje, e sem um fato muito relevante, não temos apoio para isso. O nível de apoiamento ainda é alto na população. E Bolsonaro agora está distribuindo cargos com a eleição na Câmara.”

Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, Bolsonaro tem 500 cargos disponíveis aos apoiadores de Arthur Lira (PP-AL) para presidir a Casa. O candidato do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é o deputado Baleia Rossi (MDB-SP).

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