Bolsonaro interferiu no Iphan por interesse de Luciano Hang, diz presidente demitida do órgão

Na reunião ministerial de 22 de abril, cujo vídeo foi divulgado na última sexta-feira (22) por decisão do STF, Bolsonaro diz que "o Iphan para qualquer obra do Brasil, como para a do Luciano Hang. Enquanto tá lá um cocô petrificado de índio, para a obra, pô! Para a obra. O que que tem que fazer? Alguém do Iphan que resolva o assunto, né?"

Luciano Hang
Luciano Hang (Foto: Reprodução (Youtube))
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247 - A ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa afirmou à coluna Painel, na Folha de S.Paulo neste domingo (24), que Jair Bolsonaro efetuou uma série de interferências no órgão – incluindo a sua demissão – para atender interesses do empresário Luciano Hang. 

Kátia Bogéa, ex-presidente do Iphan, disse que o governo Bolsonaro mente quando faz o discurso de que os cargos na Administração federal são ocupados com critérios técnicos e desabafa: "É triste ver o Iphan invadido por gente sem formação”. 

Ela afirma que antes de ser demitida, após uma obra do empresário da Havan parar no Sul do país, começou uma sucessão de trocas de cargos, após a queixa de Hang. Primeiro, caiu um diretor técnico, em seguida, coordenadores em importantes superintendências, como a de Minas Gerais e do Rio, que foram trocadas por pessoas sem formação, informa a Revista Fórum.

No dia 7 de agosto de 2019, Luciano Hang reclama que técnicos do Iphan encontraram fragmentos fósseis e teriam paralisado obra de uma loja da Havan em Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Segundo Kátia Borgea, a obra foi paralisada após a empresa contratada por Hang reportar ao Iphan um achado arqueológico. “Ele criou esse escarcéu porque nem a mais simples das obrigações eles querem fazer. Estávamos ali para cumprir a Constituição. O que queriam é que não observássemos a lei”, diz ela.

Na reunião do dia 22 de abril, Bolsonaro reclama da burocracia do Iphan, que, segundo ele,paralisa qualquer obra do Brasil.

“O Iphan para qualquer obra do Brasil, como para a do Luciano Hang. Enquanto tá lá um cocô petrificado de índio, para a obra, pô! Para a obra. O que que tem que fazer? Alguém do Iphan que resolva o assunto, né? É assim que nós temos que proceder”, disse o inquilino do Palácio do Planalto. 

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