“Bolsonaro me faz pensar que hoje matariam Jesus em nome de Jesus”, diz pastor Henrique Vieira

O pastor, convidado do Programa É Nós por Nós, da TV 247, falou sobre a cena em que Bolsonaro faz com as mãos o sinal da arma durante a marcha para Jesus; “Praticamente tudo que ele diz é exatamente ao contrário daquilo que Jesus ensinou”, afirmou o pastor; assista

247 - O pastor, teólogo e ex-vereador de Niterói, Henrique Vieira, falou à TV 247, no programa É Nós por Nós, sobre a atitude do presidente Jair Bolsonaro, que fez com as mãos o sinal da arma, durante marcha para Jesus em São Paulo. O pastor também falou sobre o posicionamento dos religiosos em relação ao público LGBT, reforma da Previdência e sobre sua participação no filme Marighella.

Henrique Vieira criticou a presença de Bolsonaro na marcha para Jesus e disse que o fato representa a decadência de um cristianismo que trai a memória de Jesus. “A presença de um presidente que exalta torturadores, que elogia a ditadura, que praticamente tudo que diz é exatamente ao contrário daquilo que Jesus ensinou. O Bolsonaro me faz pensar que hoje matariam Jesus em nome de Jesus. Aquela cena dele fazendo o sinal da arma é sintomática, demonstra a decadência de um tipo de cristianismo que muito mais esconde o evangelho do que revela o evangelho, muito mais trai a memória de Jesus do que atualiza e compartilha. Lamento essa articulação de um discurso de ódio, de antipatia, de indiferença e insensibilidade com a vida de Jesus de Nazaré. Não há qualquer ligação entre intolerância, ódio e desprezo da dignidade humana com aquilo que Jesus viveu e ensinou”.

O teólogo comentou ainda sobre a postura do cristianismo e do evangelho em relação ao público LGBT. Para ele, a Igreja não deve se escandalizar com o amor, mas sim com a intolerância. “O Brasil é um país e violento para os LGBTs. Como cristão, discípulo de Jesus, alguém que ensinou a amar, eu creio que o meu lugar é ao lado dos LGBTs, lutando pelo seus direitos de amar, amar sem medo, sem vulnerabilidade diante dessa violência estruturante. O que deve escandalizar a Igreja não é o amor, o que deve escandalizar a Igreja é a intolerância, o preconceito, a violência, a interdição da liberdade. Onde há amor há verdade, não há nenhuma verdade além, acima ou fora do amor, essa é a centralidade do evangelho. Como discípulo de Jesus, eu lamento esse preconceito histórico que parte da Igreja alimenta e reproduz e realmente acredito que nosso dever é estar ao lado dos LGBTs”.

Sobre a reforma da Previdência, Henrique Vieira a classificou como reforma de um “governo antipopular”. “É uma reforma antipovo, é uma reforma que mais uma vez sacrifica quem mais precisa nesse país. É mais uma vez uma lógica para beneficiar o capital financeiro, o setor financeiro, a Previdência privada ,e desta maneira, retirar direitos do povo trabalhador. Tem outro caminhos para resolver problemas fiscais no Estado brasileiro, inclusive caminhos em que você combate os privilégios e não quem já é explorado pela própria estrutura do Estado brasileiro. Portanto, essa reforma é a marca de um governo antipopular, que não gosta da pessoas”.

O também ator, com participação no filme Marighella, que estréia do dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, falou sobre a importância do filme na atualidade. “Eu acho que a grande potência desse filme é que ele não é apenas um registro do passado. De uma maneira muito bem construída, é uma obra cinematográfica impressionante, não fica só no registro da década de 60, o filme fala sobre violência do Estado, letalidade policial, racismo estrutural, criminalização da pobreza e extermínio da população pobre. Todas essas temáticas tão atuais estão presentes no filme de uma maneira muito dinâmica. Eu acho que é um filme que junta coisas impressionantes: um bom roteiro, uma boa velocidade de filme, um elenco maravilhoso e um filme que fala da década de 60 mostrando o caráter atual daquelas violências, portanto, o caráter atual daquelas resistências”.

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