Bolsonaro quer o Brasil como maior aliado e interlocutor dos EUA na região
Matéria do jornal El País destaca que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) pretende "dar uma guinada sem precedentes na história recente das relações bilaterais" brasileiras ao tentar se firmar como o principal aliado e maior interlocutor do Estados Unidos na América do Sul, mesmo que esse alinhamento represente um 'choque de interesses em matéria de comércio e indústria com a potência do norte'; 'Não há nada do estilo desde o início da ditadura militar (1964-1985)', destaca a reportagem
247 - Matéria do jornal El País destaca que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) pretende "dar uma guinada sem precedentes na história recente das relações bilaterais" brasileiras ao tentar se firmar como o principal aliado e maior interlocutor do Estados Unidos na América do Sul.
De acordo com o jornalista Afonso Benites, que assina a reportagem, os primeiros sinais foram emitidos por meio de "trocas amistosas nas redes e telefonemas" e um primeiro encontro entre Bolsonaro e o assessor da Casa Branca para a política externa e de segurança nacional, John Bolton, está marcado para esta quinta-feira, no Rio de Janeiro.
"Bolton faz uma breve parada no Rio a caminho da reunião do G20, na Argentina, no dia 30 – a equipe de transição ainda analisa se é viável e positivo enviar o futuro ministro Araújo para o encontro das principais forças globais. Ao menos outras três autoridades internacionais de peso que participarão do encontro em Buenos Aires também pediram reunião com Bolsonaro, mas ele, que prefere não sair do país ainda por motivos de saúde, alegou falta de tempo na sua agenda para não recebê-los. Quer se resguardar e mostrar para os norte-americanos que a preferência, agora e no Governo, sempre será deles", destaca o texto.
O alinhamento automático do Brasil, "a segunda maior economia do hemisfério ocidental", à politica e interesses dos Estados Unidos na região representa um "choque de interesses em matéria de comércio e indústria com a potência do norte", destaca o El País. "Não há nada do estilo desde o início da ditadura militar (1964-1985). Por mais que tenha tentado uma aproximação nos últimos dois anos, o frágil Governo Michel Temer jamais chegou nem perto de conseguir tamanha atenção da Casa Branca e marcou diferenças ao, por exemplo, rejeitar a ideia de qualquer intervenção militar na Venezuela", observa a reportagem.
Nesta linha, o texto destaca o papel que Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito e vem assumindo no processo de aproximação com o EUA. "Além de ter convencido o pai a se converter ao liberalismo econômico com Paulo Guedes, foi o deputado federal mais votado da história do Brasil que começou a buscar contato com militantes e lideranças conservadoras nos costumes e liberais na economia pelo mundo mesmo antes da escolha do novo chanceler. Foi Eduardo quem fez os primeiros contatos com aliados e representantes do presidente americano, Donald Trump. Em agosto, esteve com Steve Bannon, um radical de direita, ex-assistente de Trump e líder do The Movement, grupo que promove populismo de direita e nacionalismo econômico pelo mundo", afirma o El país.
Leia a íntegra no El País.
