Bolsonaro recua e diz que nova "CPMF está fora da reforma tributária"

Diante da reação em cadeia de diversos setores, Jair Bolsonaro recuou dos planos do ministro da Economia Paulo Guedes e por meio das redes sociais disse que "a recriação da CPMF ou aumento da carga tributária estão fora da reforma tributária". Ele disse ainda que a demissão de Marcos Cintra foi "a pedido" e que foi motivada "por divergências no projeto da reforma tributária"

Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - Após a reação de diversos setores contra a proposta de  criação de um imposto semelhante à CPMF, que previa alíquotas de 0,40% para depósitos em dinheiro e saques, Jair Bolsonaro usou a sua página no Twitter para recuar e dizer que o imposto está fora da proposta de reforma tributária.

Em letras garrafais, Bolsonaro afirmou que "tentativa de recriar CPMF derruba chefe da Receita". 

Segundo ele, "Paulo Guedes exonerou, a pedido, o chefe da Receita Federal por divergências no projeto da reforma tributária". No entanto, o governo aventou a proposta de recriação da CPMF por diversas vezes. O próprio Bolsonaro chegou a dizer que o governo cogita a recriação de um novo imposto nos moldes da extinta CPMF. “Vou ouvir a opinião dele [Paulo Guedes]", disse Bolsonaro.

Hoje, Bolsonaro escreveu: "A recriação da CPMF ou aumento da carga tributária estão fora da reforma tributária por determinação do Presidente".

A realidade é que o governo recuou porque a proposta não foi aceita por diversos setores aliados em pautas econômicas. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quarta-feira (11) que a ideia do governo de cobrar imposto sobre pagamentos provocou uma reação "contundente" dos parlamentares e que a medida terá "dificuldade" em avançar na Casa. 

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que foi fiel ao governo na aprovação da reforma da Previdência, também rejeitou e disse que ia orientar a bancada paulista a reprovar a proposta.

Resultado, o governo demitiu o secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, nesta terça (11).

"Poupa-se Paulo Guedes, critica-se Marcos Cintra por ter insistido com a ideia da nova CPMF. Ora, quantas vezes Guedes não defendeu a ideia também? Mas Guedes é o queridinho do mercado e da mídia, Cintra, não. Pode ser descartado" comentou o jornalista Ricardo Noblat.


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