Bope prende bombeiros. São "vândalos", diz Cabral

PM prende439 bombeiros que pediam maiores salrios; governador Srgio Cabral diz que no negocia com "vndalos";grevistas respondero por insubordinao

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247_Uma crise sem precedentes na segurança pública do Rio de Janeiro pode ter consequências imprevisíveis para a população carioca. De um lado, o protesto dos que querem melhores condições de trabalho. De outro, a truculência daqueles que só sabem reagir com violência. Bombeiros versus Bope, quem tem razão? “Os bombeiros manifestantes formam um grupo de vândalos e irresponsáveis”, disse o governador Sérgio Cabral. Na madrugada de hoje, o quartel central do Corpo de Bombeiros, no centro carioca, foi o cenário de um confronto inédito. Os bombeiros utilizaram o seu quartel para reivindicar o aumento do piso da categoria de R$ 950 para R$ 2 mil para soldados em início de carreira. O grupo que protestava impediu a saída de caminhões e usou as dependências para levantar a sua bandeira grevista. O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foi chamado para controlar a situação e dispersar os manifestantes que, na visão da cúpula governista, infringiram todas as regras aceitáveis.

Cabral autorizou a ação do Bope, que invadiu o quartel às 6h05 da manhã para acuar os bombeiros. Sem medir forças, não distinguiram grevistas de bandidos: usaram bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, barreira de isolamento e violência com aqueles que não respeitavam a força da instituição que ganhou fama com os filmes do Capitão Nascimento. A invasão do Bope ocorreu pelos fundos do quartel para empurrar os manifestantes para o portão principal e força-los a deixar o local. Todos os feridos, entre eles parentes dos bombeiros e os militares, foram levados para o Hospital Souza Aguiar. “Os bombeiros serão presos por crime de natureza militar”, afirmou o coronel Mário Sérgio Duarte, comandante geral da Polícia Militar, que afirmou que a negociação entre a PM e os bombeiros não saiu como ele gostaria, ou seja, sem a necessidade de uma ação efetiva. Por isso, a operação de invasão foi feita com todo cuidado e, até o momento, não há informações sobre pessoas feridas com gravidade nem perfurações à bala. Cerca de 15 ônibus deixaram o local com quase 600 bombeiros; 439 foram presos. Eles foram levados para a corregedoria da polícia militar.

Sérgio Cabral ficou reunido desde às 8 da manhã, no Palácio da Guanabara, com a cúpula do seu governo: o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame; com o vice-governador Luiz Fernando Pezão; com o secretário da Casa Civil, Regis Velasco Fichtner Pereira, e com o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte. Foi decidida a nomeação de Sérgio Simões para assumir a instituição e condenar o movimento. No seu pronunciamento, o governador disse que a instituição do corpo de bombeiros do Rio de Janeiro tem recebido de seu governo um apoio que não foi visto nas últimas quatro décadas, em termos de equipamentos, instrumentos de trabalho e reforma salarial. “Não é verdade que o salário dos bombeiros do Rio é o pior do País”, disse Cabral. Segundo ele, foram investidos mais de R$ 120 milhões em novas viaturas, caminhões, aeronaves, embarcações, equipamentos para a Defesa Civil e uma recuperação salarial durante seu governo.

Questionado sobre a existência de algum plano que atenda a solicitação dos manifestantes, Sérgio Cabral informou que o pedido de reforma salarial será atendido até o final deste ano e que será o melhor da história da corporação. A imagem do Corpo de Bombeiros do estado, segundo o governador, tão respeitada pelo povo do RJ, não será, de forma alguma, prejudicada. Ele afirma que os manifestantes deverão responder administrativa e criminalmente. O processo administrativo já foi aberto por ele, mas o criminal caberia ao Ministério Público. “Os manifestantes passaram do limite e não merecem estar nessa instituição”, disse ele.

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