Boulos critica governadores por ICMS do diesel travar acordo
Ministro acusa estados de dificultarem redução do preço do diesel e cobra adesão a proposta do governo para dividir subsídio ao combustível
247 - Após reunião com representantes dos caminhoneiros nesta quarta-feira (25/3) no Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fez duras críticas aos governadores por não aceitarem reduzir o ICMS sobre o diesel, apontando entraves na tentativa de estabilizar o preço do combustível. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
Durante o encontro, Boulos também responsabilizou distribuidoras e postos pelo recente aumento no valor do diesel. "Vimos o aumento do diesel de maneira despropositada nos últimos dias por especulação de distribuidoras e postos de gasolina. Os caminheiros não podem pagar o preço da irresponsabilidade da ganância dessas distribuidoras que estão aumentando o preço artificialmente mesmo com a isenção do PIS e Cofins. Da mesma forma, os caminheiros não pode pagar o preço de determinados governadores que não querem mexer no ICMS para que se consiga estabilizar o preço do combustível e do diesel em particular diante dessa guerra insana", afirmou o ministro.
Na véspera, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo federal apresentou aos estados uma proposta alternativa para reduzir o impacto do diesel importado. A ideia é dividir os custos de uma subvenção de R$ 1,20 por litro, sendo R$ 0,60 bancado pela União e outros R$ 0,60 pelos estados.
Segundo Durigan, o novo modelo substitui a proposta anterior, que previa a desoneração do ICMS sobre o diesel importado. A estimativa de renúncia fiscal permanece em R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, com divisão igual entre União e estados, cerca de R$ 1,5 bilhão para cada. A medida, de caráter temporário, teria validade até 31 de maio.
Ainda durante a reunião, Boulos afirmou que o governo pretende reforçar a fiscalização sobre o setor de combustíveis e criar uma mesa permanente de negociação com os caminhoneiros. A iniciativa ocorreria paralelamente à tramitação, no Congresso, de uma medida provisória que amplia os poderes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para punir o descumprimento das regras de frete.
Representando a categoria, o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Santos, Luciano Santos, afirmou que os profissionais não pretendem ser instrumentalizados politicamente. "O governo fez a parte dele, a nossa batalha agora é com os nossos deputados. Vamos ver se eles vão estar do lados dos caminheiros, do povo brasileiro, ou das grandes empresas", declarou.