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Braga Neto será o próximo a depor na CPMI dos atos golpistas de 8 de janeiro

Braga Netto é um dos investigados na operação da Polícia Federal sobre suspeita de fraude na verba da intervenção federal ocorrida na segurança do Rio de Janeiro

Braga Netto e a Polícia Federal (Foto: Alan Santos/PR | Tânia Rêgo/Agência Brasil)

247 - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) encarregada de investigar os eventos ocorridos em 8 de janeiro convocou o general Walter Braga Neto para prestar depoimento em 19 de outubro. Esta convocação foi resultado de três pedidos apresentados por parlamentares do governo.

Os deputados Duda Salabert (PDT-MG) e Duarte Júnior (PSB-MA) justificaram o pedido de convocação do General Braga Neto, destacando que ele era um dos ministros mais próximos do presidente Jair Bolsonaro, desempenhando um papel de ligação entre a Presidência e as Forças Armadas. Mesmo estando na reserva, Braga Neto mantinha influência sobre os parlamentares governistas.

À medida que a CPI se aproxima do fim, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) está preparando seu relatório sobre as investigações, com a possibilidade de incluir novos indiciamentos. Ela planeja realizar algumas audiências adicionais, incluindo uma acareação entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu ajudante de ordens, Mauro Cid, bem como a convocação dos generais Braga Neto e Augusto Heleno.

Eliziane Gama não vê a necessidade de ouvir Bolsonaro isoladamente na comissão, mas busca a quebra de sigilo financeiro do ex-presidente e de sua esposa, Michelle Bolsonaro, bem como dos Relatórios de Inteligência Financeira (Rifs) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A senadora possui uma lista de pelo menos oito pessoas que ainda devem prestar depoimento à CPI até o final de outubro, incluindo o empresário Meyer Joseph Nigri, proprietário da construtora Tecnisa, que está sob investigação da Polícia Federal por supostas conversas de teor golpista com outros empresários. Eliziane deseja ouvir também o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, um financiador associado ao garimpo ilegal e uma pessoa ligada à milícia digital.

Durante o curso da CPI, o atual ministro da Defesa, José Múcio, pediu cautela em relação às Forças Armadas, enquanto o governo Lula busca reconstruir relações com os militares. A senadora Eliziane enfatiza a importância de responsabilizar aqueles que participaram dos eventos de janeiro, embora reconheça a relevância das instituições em impedir um golpe de estado.

Braga Neto é um dos investigados em uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de fraude na verba destinada à intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, que custou R$ 1,2 bilhão. Braga Neto atuou como interventor nessa operação e teve seu sigilo telefônico quebrado pela Justiça.