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Brasil tem quase 30 fábricas de vacinas para gado, mas só duas para humanos

Enquanto apenas quatro dos 17 imunizantes para humanos distribuídos no Brasil são produzidos inteiramente no país, 90% das vacinas para gado são completamente brasileiras

Brasil tem quase 30 fábricas de vacinas para gado, mas só duas para humanos (Foto: REUTERS/Bing Guan)

247 - Com a pandemia de Covid-19 e a produção de vacinas contra a doença, ficou claro que o Brasil tem extrema dependência de outros países quando o assunto é matéria-prima para a fabricação de imunizantes.

Em 1980, o país tinha pelo menos cinco laboratórios para a produção de vacinas, mas atualmente existem apenas dois em funcionamento: Bio-Manguinhos, da Fiocruz, e o Instituto Butantan. Das 17 substâncias desenvolvidas nestes locais, apenas quatro não dependem de insumos importados.

Por outro lado, mais de 90% dos imunizantes utilizados em gados no Brasil são fabricados inteiramente em território nacional, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

"O problema do Brasil é que a gente importa tudo. Nos últimos anos, reduzimos em 50% a capacidade de produção nacional de vacinas. Temos só duas fábricas. No setor veterinário, temos inúmeras fábricas", diz Ana Paula Fernandes, pesquisadora do Centro de Tecnologia em Vacinas e Diagnóstico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista à BBC.

Segundo o Sindan, existem quase 30 fábricas de vacinas para gado no Brasil, mercado que garantiu faturamento de R$ 6,5 bilhões ao setor farmacêutico veterinário e que ajuda a manter a liderança mundial do Brasil na exportação de gado.