Brasileiros veem interferência dos EUA e temem riscos após decisão sobre facções
Pesquisa Ipsos-Ipec mostra que maioria considera ação dos Estados Unidos uma interferência e aponta preocupações com segurança e impactos econômicos
247 - A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas é vista com cautela pela maioria dos brasileiros. Levantamento inédito do Ipsos-Ipec revela que grande parte da população avalia a medida como uma interferência em assuntos internos do Brasil e demonstra preocupação com possíveis consequências para a segurança pública e a economia.
As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo, em reportagem do jornalista Lauro Jardim, com base em pesquisa realizada pelo Ipsos-Ipec entre os dias 13 e 17 de junho. O estudo ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados concordam que a iniciativa do governo dos Estados Unidos representa uma interferência em temas que deveriam ser tratados exclusivamente pelo Brasil. Em sentido contrário, 35% discordam dessa avaliação, enquanto 4% afirmam não concordar nem discordar.
Maioria teme impactos sobre comunidades
O levantamento também mostra que há receio em relação aos efeitos da decisão sobre áreas dominadas por facções criminosas. Para 56% dos entrevistados, a classificação das organizações como terroristas pode colocar em risco moradores dessas comunidades, ao menos em parte. Outros 33% discordam dessa percepção.
Os dados revelam que a sociedade brasileira permanece dividida quando o assunto é a possibilidade de ganhos concretos para a segurança pública. Embora 48% acreditem que a medida possa contribuir para melhorar o combate ao crime, 41% avaliam que ela não produzirá esse efeito.
Esse equilíbrio entre opiniões favoráveis e contrárias evidencia que, apesar do apoio de parte da população à iniciativa, ainda predominam dúvidas sobre seus impactos práticos e sobre a atuação dos Estados Unidos em uma questão considerada por muitos como de competência das autoridades brasileiras.
Economia também desperta preocupação
Além das questões relacionadas à segurança, a pesquisa aponta apreensão em relação aos possíveis reflexos econômicos da decisão. Quase metade dos entrevistados teme que a medida possa provocar consequências para a economia brasileira.
Outro resultado destacado pelo levantamento indica que 48% dos brasileiros enxergam risco para os recursos nacionais em decorrência da classificação das facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Apesar das preocupações registradas em diferentes áreas, há um tema específico em que predomina uma percepção mais tranquila entre os entrevistados.
PIX não preocupa a maioria dos entrevistados
De acordo com o Ipsos-Ipec, 52% dos brasileiros não acreditam que o PIX possa sofrer impactos em razão da decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos. O resultado contrasta com as especulações recentes envolvendo o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 17 de junho, com entrevistas em 130 municípios do país. O estudo ouviu 2.000 pessoas, possui margem de erro estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos e adota nível de confiança de 95%.
