Brasília tem lan house de luxo

Dois anos e meio aps inaugurao, frequentadores da Biblioteca Nacional continuam sem acessos aos livros; funcionamento do espao se resume a acesso gratuito e rpido internet

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Naira Trindade_ Brasília 247 – Duas realidades bem distintas num só lugar. O arcaico e o moderno se encontram na Biblioteca Nacional de Brasília. De um lado, salas com computadores de última geração. De outro, livros em caixas à espera de um software e de mão de obra para catalogá-los. Passados dois anos e meio da inauguração, o espaço cultural projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer esbarra em problemas burocráticos. Mesmo subutilizado, recebe em média 900 pessoas por dia, que procuram um lugar silencioso para estudar ou utilizar a internet.

"Era para ser a melhor biblioteca do Brasil, mas está longe disso", admite o diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, Antônio Miranda. Ambiciosa, a proposta da biblioteca que compõe o Complexo Cultural da República – há também o Museu Nacional – prevê espaços multimídia com equipamentos modernos: computadores para edição de vídeos, cadeiras que massageiam durante a visualização de vídeos, cafeteria, ambiente reservado a crianças, acesso à internet liberado a todos os estudantes, acervo físico com mais de 100 mil obras e acervo digital.

Faltou, no entanto, recurso para tanta pretensão. Uma verba de R$ 2,2 milhões, concedida por meio de convênio do governo local com o Ministério da Cultura (MinC), teve de ser devolvida em 2009, após a crise política em consequência da operação Caixa de Pandora. Segundo a assessoria de imprensa da Fundação Biblioteca Nacional, vinculada ao MinC, o ministério repassaria o montante e o GDF injetaria R$ 550 mil como contrapartida.

Sem o recurso, a biblioteca teve seu quadro de funcionários reduzido de 60 colaboradores (entre estagiários, consultores de projetos e servidores) para 40 servidores – todos contratados pela Secretaria de Cultura. Por isso, os livros recebidos de doações continuam encaixotados e parte do acervo nas prateleiras não pode ser acessada pelos estudantes. "A falta do sistema de segurança e a redução de pessoal para o atendimento inviabilizaram a liberação dos livros já catalogados para consulta local e empréstimo domiciliar", diz nota no site da biblioteca. Miranda, entretanto, minimiza a questão, ressaltando que a cessão de livros seria mais um serviço, não o único. "A proposta da Biblioteca Nacional mudou, hoje ela é híbrida, com internet rápida e gratuita para os usuários."

As salas vazias do prédio abrigaram o governo de transição de Agnelo Queiroz, no fim do ano passado. O quarto e último andar, por exemplo, está repleto de entulhos de obras, cadeiras quebradas, caixas de materiais de construção. Ali está prevista a instalação de um espaço voltado para cientistas, segundo o diretor. A cafeteria – que seria no segundo andar – também não saiu do papel. "Falta abrir a licitação", diz. Enquanto isso, o local eventualmente serve de suporte para garçons de bufês contratados para servir lanches após seminários no auditório.

No segundo andar, nove poltronas multimídias de massagem instaladas em frente a monitores aguardam conteúdo para funcionar e ser aberta ao público. No terceiro andar, computadores para edição vídeos do centro de criação digital estão desligados por falta de monitores. O projeto é uma parceria com a Adobe e, segundo Miranda, depende apenas do treinamento do pessoal.

Dos projetos estabelecidos, está a área destinada a crianças de 4 a 10 anos. O espaço recebe turmas de 20 meninos e meninas a cada duas horas, enquanto os pais estudam na biblioteca. A garotada se diverte com vídeos, desenhos, leitura de gibis e acesso à internet pelos nove computadores da sala. O Espaço Clic, com 51 computares para acesso público, depois de inúmeras reclamações, passou por reformas nos pisos. A promessa para abertura à comunidade do acervo digital e das coleções Popular e Brasiliana – aqueles livros que não podem ser retirados da prateleira – é para 2012.

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