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CadÚnico sustenta geração de empregos formais em janeiro

Dados do Caged mostram saldo positivo de 112,48 mil vagas entre inscritos, enquanto mercado geral registra leve queda no início de 2026

CadÚnico sustenta geração de empregos formais em janeiro (Foto: MDS/Reprodução)

247 - As pessoas inscritas no Cadastro Único tiveram desempenho superior na ocupação de vagas formais no início de 2026, com maior permanência nos postos de trabalho e menor rotatividade. Dados divulgados pela Agência Gov, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revelam que esse público registrou saldo positivo de empregos em janeiro, mesmo em um cenário geral de estabilidade no mercado.

Segundo as informações, foram contabilizadas 790.581 admissões e 678.101 desligamentos entre os inscritos no CadÚnico, resultando em um saldo positivo de 112.480 vagas com carteira assinada. No mesmo período, o saldo geral de empregos no país ficou praticamente estável, com leve resultado negativo de 146 postos. O cruzamento das bases de dados é realizado pela Secretaria de Inclusão Socioeconômica (Sisec), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Para o economista Saumíneo Nascimento, o desempenho do grupo está diretamente relacionado à maior permanência no emprego. “A diferença ocorre porque o grupo do CadÚnico conseguiu se fixar nas oportunidades de emprego e apresentou menor rotatividade”, analisou. Ele também destacou o impacto positivo para as empresas: “As informações apresentadas demonstram que as admissões do público do Cadastro Único são importantes para a redução da variável turnover nas empresas”.

Entre os beneficiários do Bolsa Família, o resultado também foi expressivo. Foram registradas 332.022 admissões e 247.426 desligamentos, gerando um saldo positivo de 85.596 empregos formais. A participação desse grupo nas contratações foi de 15,1%, enquanto nos desligamentos ficou em 11,8%, evidenciando maior estabilidade no vínculo empregatício.

Além disso, os beneficiários do programa responderam por 76% do saldo total de empregos entre os inscritos no Cadastro Único, reforçando o papel do Bolsa Família como instrumento de inclusão produtiva e porta de entrada para o mercado formal de trabalho.

Crescimento consistente nos últimos anos

O avanço do emprego formal no país não se restringe ao início de 2026. Entre 2023 e 2025, o mercado de trabalho apresentou crescimento contínuo, com todas as 27 unidades da federação registrando saldo positivo na geração de vagas com carteira assinada.

Nesse período, o saldo geral foi de 4.412.352 empregos, enquanto o público do Cadastro Único alcançou um saldo ainda maior, de 4.862.471 postos. Os dados indicam que trabalhadores fora do CadÚnico tiveram maior volume de desligamentos, o que reforça a tendência de maior permanência dos inscritos no programa.

Regiões Sul e Sudeste concentram contratações

Em janeiro de 2026, cinco estados concentraram 58% das admissões de trabalhadores do Cadastro Único: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, evidenciando a força econômica das regiões Sul e Sudeste.

No saldo geral do Caged, Santa Catarina liderou a geração de empregos, com 19 mil postos, seguida por Mato Grosso (18.646), Rio Grande do Sul (18.421), Paraná (18.306) e São Paulo (16.451). Juntas, essas unidades federativas responderam por cerca de 80% do saldo total de empregos no país no mês.

Setor de serviços lidera contratações

O setor de serviços foi o principal responsável pela geração de empregos entre os inscritos no Cadastro Único em janeiro, com saldo de 49,67 mil vagas. Na sequência aparecem a indústria, com 31,61 mil postos, e a construção civil, com 21,34 mil.

Já no resultado geral do Caged, a indústria liderou a criação de empregos, com 54,99 mil vagas, seguida pela construção (50,55 mil) e pelos serviços (40,52 mil).

Saumíneo Nascimento destacou o papel estratégico do setor de serviços para esse público. “O maior saldo líquido de empregos no setor de serviços para pessoas oriundas do Cadastro Único sinaliza que é um setor que oferece mais oportunidades de capacitação e qualificação específicas para esse público”, afirmou.

Jovens e ensino médio predominam

O perfil dos trabalhadores contratados também chama atenção. A maioria das vagas foi ocupada por pessoas com ensino médio completo, que representaram 62% do saldo geral (69,61 mil postos) e 61% entre os inscritos no Cadastro Único (76,51 mil).

Entre as faixas etárias, os jovens de 18 a 24 anos lideraram as contratações, com 69,16 mil vagas no saldo geral (61,6%) e 49,99 mil entre os inscritos no CadÚnico (44,4%).

Apesar disso, o desempenho positivo também alcançou trabalhadores mais experientes. O público do Cadastro Único manteve saldos positivos nas faixas de 30 a 39 anos (14,94 mil), 40 a 49 anos (13,67 mil) e 50 a 59 anos (7,1 mil), indicando que a inclusão socioeconômica por meio do emprego formal tem atingido diferentes perfis de trabalhadores no país.