Campanha de Bolsonaro divulga fake news contra mobilização de mulheres no Facebook
O grupo "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro", que reúne mais de 1 milhão de mulheres contra o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) e que foi hackeado neste final de semana, também foi alvo de disseminação de fake news pela cúpula da campanha do presidenciável; afirmação de que a conta no Facebook havia sido comprada por partidos de esquerda para atacar Bolsonaro, porém, foi desmentida poucas horas depois; grupo deve promover manifestações contra Bolsonaro em 42 cidades do país no próximo dia 29
247 - O grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que reúne mais de 1 milhão de mulheres contra as ideias fascistas e misóginas do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) e que sofreu uma série de ataques de hackers neste final de semana, também foi alvo de disseminação de notícias falas por parte de membros da coordenação de campanha do presidenciável.
Na tarde do sábado, quando começaram os primeiros ataques, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável, usou sua página oficial no Facebook para atacar, sem provas o grupo e as suas administradoras. No texto, segundo a versão em português do jornal espanhol El País, o parlamentar acusou o diário britânico The Guardian de espalhar fake News sobre a mobilização, organizada pelo grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que deve acontecer em 42 cidades do país no próximo dia 19.
Segundo Eduardo Bolsonaro, a ação é uma mobilização da esquerda contra a candidatura do PSL. "Uma página qualquer do Facebook tinha 1 milhão de seguidores quando foi vendida para a esquerda. Então, sem qualquer vergonha, eles mudaram o nome dela para 'Mulheres Unidas Contra Bolsonaro' e saiu alardeando por aí que havia uma onda de mulheres contra o presidenciável". Ele também afirmou que "a página contra Bolsonaro está em queda vertiginosa, tanto que passou a ser página privada e em resposta foi criada a página MULHERES COM BOLSONARO #17 (OFICIAL), que já conta com mais de 1.100.000 seguidoras".
A informação de que o grupo era uma ação contra Bolsonaro foi corroborada pelos eu vice, general Hamilton Mourão, que afirmou que "essa rede aí que apareceu dizendo que tinha 800 mil mulheres contra o Bolsonaro, a gente sabe que aquilo ali é uma coisa fake. Ela era um site, foi comprado por um grupo de opositores e que se apropriou daquilo ali. Essa é a realidade e nós estamos até aprofundando os nossos dados sobre isso".
A afirmação, porém, foi logo desmentida. "O grupo "Mulheres Unidas contra Bolsonaro" foi criada em 30 de agosto e jamais havia mudado de nome até ser hackeada, segundo o Facebook, que foi consultado por um conjunto de meios de comunicação que verificam boatos que circulam nas redes", destaca o El País
Junto com os ataques cibernéticos, que mudaram o perfil e a identidade visual da página do grupo para "Mulheres com Bolsonaro", as administradoras do grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro também dizem terem sido alvo de ameaças. Dentre as ameaças estariam divulgação de dados pessoais como CPF, endereços e informações bancárias caso a conta no Facebook não fosse excluída. O grupo, porém, obteve o auxílio do próprio Facebook e conseguiu recuperar a conta
"Do sábado até a tarde deste domingo, a mobilização das mulheres em reação aos ataques produziu 185.698 postagens com as hashtags da campanha, que permanecerem entre os assuntos mais comentados da rede durante todo o dia. Fora mais de 58 mil perfis envolvidos engajados com as hashtags críticas à Bolsonaro como #mulherescontrabolsonaro, #elenao e #elenunca. Um grupo de apoiadores do candidato tentou se apropriar das hashtags, mas a estratégia não teve sucesso. Os 2.581 perfis que fazem parte da rede em defesa de Bolsonaro representam apenas 5,85% da rede de interações que se formou no microblogue no período", diz o El País.