Carol Proner: vitória de Luis Arce na Bolívia desmoraliza a OEA

"Agora veremos os vendilhões golpistas fugindo do país e a OEA de Almagro desmoralizada. Viva Bolívia!", afirmou a jurista Carol Proner após a vitória de Luis Arce (Movimento pelo Socialismo) na Bolívia

Carol Proner, Luis Arce e OEA
Carol Proner, Luis Arce e OEA (Foto: Reprodução/Facebook | Reuters | Reprodução)
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247 - A jurista Carol Proner afirmou que a vitória da Luis Arce (Movimento pelo Socialismo) na Bolívia desmoralizou a Organização dos Estados Americanos (OEA). A instituição questionou os resultados eleitorais que levaram ao afastamento de Evo Morales por um golpe no ano passado. 

"Depois de um ano, o povo responde ao golpe com uma contundente vitória do MAS na Bolívia. A estimativa aponta mais de 50%, superando em 20 pts. a diferença para o 2o candidato. Agora veremos os vendilhões golpistas fugindo do país e a OEA de Almagro desmoralizada. Viva Bolívia!", afirmou a jurista no Twitter. Citado pela jurista, Luis Almagro é secretário-geral da OEA. 

De acordo com uma reportagem dos jornalistas Anatoly Kurmanaev e Maria Silvia Trigo, publicada em junho do ano passado pelo New York Times, "os pesquisadores descobriram que a conclusão de que os votos de Morales aumentaram inexplicavelmente quando a contagem recomeçou foi baseada em dados incorretos e técnicas estatísticas inadequadas".

Leia a abaixo da reportagem da Reuters: 

LA PAZ (Reuters) - O candidato socialista à Presidência da Bolívia, Luis Arce, deve vencer a eleição já em primeiro turno, de acordo com apuração extraoficial divulgada nesta segunda-feira, colocando o partido esquerdista do ex-presidente Evo Morales à beira do retorno ao poder.

A contagem rápida do instituto de pesquisas Ciesmori, divulgada pela emissora de TV boliviana Unitel perto da meia-noite de domingo, mostrou Arce com 52,4% dos votos válidos, mais de 20 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o centrista Carlos Mesa, que tinha 31,5%.

A apuração oficial havia contabilizado somente 5% dos votos e as pesquisas bocas-de-urna tiveram a divulgação atrasada em horas depois do fechamento das urnas, deixando os bolivianos no escuro sobre o resultado da eleição. Um candidato precisa de 40% dos votos e uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o rival mais próximo para vencer em primeiro turno.

“Todos os dados conhecidos até agora indicam que houve uma vitória do Movimento Ao Socialismo (MAS)”, disse Morales, que escolheu pessoalmente Arce como candidato e vinha aconselhando sua campanha, em entrevista coletiva em Buenos Aires.

Arce, um ex-ministro da Economia do governo Morales, mostrou confiança na vitória sem declarar-se explicitamente o vencedor em sua própria entrevista coletiva, pouco depois da meia-noite na capital La Paz.

“Vamos trabalhar, e vamos retomar o processo de mudança sem ódio”, disse ele a jornalistas. “Vamos aprender e vamos superar os erros que cometemos (antes) como partido Movimento Ao Socialismo.”

Realizada em meio à pandemia de coronavírus, a eleição de domingo é vista como um teste para a democracia do país andino, após a anulação da eleição do ano passado por causa de alegações de fraude, que levaram a protestos sangrentos e à renúncia de Morales após quase 14 anos no poder.

Jenine Añez, a presidente interina conservadora que assumiu o país em meio ao vácuo de poder no ano passado, disse que aparentemente Arce era o vencedor e o parabenizou.

O resultado da eleição, se confirmado, é um castigo para os conservadores bolivianos e provavelmente vai impulsionar a imagem de Morales, o líder socialista indígena cuja influência ainda paira sobre o país, apesar de ele viver no exílio na Argentina desde a crise gerada após a eleição do ano passado.

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