“Carreira do Prof. Luizinho foi carcomida”

Advogado Pierpaolo Bottini sustenta diante do STF que ex-líder do governo Lula não cometeu lavagem de dinheiro; ele admitiu que R$ 20 mil reais foram sacados por assessor 'Zé Linguiça', mas que isso não caracterizou crime; "não há demonstração de dolo"; "após esse caso, ele não conseguiu nem mais se eleger vereador em São Bernardo", completou

“Carreira do Prof. Luizinho foi carcomida”
“Carreira do Prof. Luizinho foi carcomida” (Foto: Edição/247)
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247 – O advogado Pierpaolo Bottini, em nome do ex-líder do governo Lula na Câmara, professor Luizinho, pediu absolvição de seu cliente em razão da "falta de ilicitude" em relação à acusação  de lavagem de dinheiro. "Para que isso ocorresse, deveria haver um crime antecedente para originar o dinheiro, e isso não houvre", disse ele, referindo-se ao saque de R$ 20 mil feito na agência do Banco Rural, em São Paulo, por José Nilson dos Santos, que na ocasião do fato, em 2003, era assessor de gabinete do parlamentar. Ele sustentou que o dinheiro, sim, foi sacado, mas para custear despesas de campanhas de vereadores do PT. "Havia uma relação de José Nilson com o tesoureiro Delúbio Soares, que tinha intimidade com ele e o chamava de 'Zé Linguiça'", afirmou o advogado. "Ele sempre teve sua atividade partidária dentro do PT, tinha autonomia. O Professor Luizinho não teve na a ver com aquele saque. Ele apenas deu um telefonema para Delúbio Soares e o resto ocorreu depois".

Com fala fluente e sem se alterar, o advogado Bottini sustentou que o dinheiro sacado não provinha de "peculatos", uma vez que não há prova neste sentido nos autos. Ele agregou que o parlamentar nunca teve contato com o publicitário Marcos Valério para tratar da obteção dos R$ 20 mil. "Ele jamais poderia imaginar que esse dinheiro viesse de um crime contra o sistema financeiro nacional. Aí é demais". Para o advogado, "o Professor Luizinho não teve a nada ver com o crime de lavagem de dinheiro. Esse crime não ocorreu".

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirma que as provas colhidas confirmam três fatos relevantes: primeiro, o acusado pediu dinheiro a Delúbio Soares; segundo, Delúbio Soares, atendendo ao pedido do acusado, falou com Marcos Valério que disponibilizou os recursos; terceiro, o acusado mantinha contatos constantes com Marcos Valério, pessoais e por telefone.

Considerando que a atuação de Marcos Valério com os políticos tinha por finalidade a distribuição de dinheiro, não se pode entender esses contatos constantes senão com o objetivo de conseguir dinheiro, conforme entendimento do MPF.

A companheira do ministro do STF, Antonio Dias Toffoli, Roberta Rangel, foi advogada de professor Luizinho, mas deixou o caso. A situação causou polêmica em relação à participação de Dias Tóffoli no julgamento do mensalão na Corte. O ministro, entretanto, não se considerou suspeito e continuou atuando na ação.

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