‘China e Brasil devem ser parceiros globais, não adversários’, diz Mercadante

Na semana em que Bolsonaro desprezou a vacina CoronaVac contra a Covid-19 simplesmente por ser chinesa, o ex-ministro Aloizio Mercadante disse à TV 247 que os chineses elegeram o Brasil como “parceiro estratégico global” e defendeu uma discussão “científica” sobre a vacina. Assista

Aloizio Mercadante e bandeira da China
Aloizio Mercadante e bandeira da China (Foto: Divulgação)
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247 - O ex-ministro Aloizio Mercadante afirmou à TV 247 que a melhor estratégia que atende aos interesses brasileiros é a manutenção da parceria entre o País e a China, que se consolida como principal compradora de produtos do Brasil. Nesta semana, a população viu Jair Bolsonaro refutar a vacina CoronaVac contra a Covid-19 pelo simples fato do medicamento ser produzido por uma empresa chinesa, a Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan.

Mercadante ressaltou que os BRICS, que envolvem Brasil, China e outras nações, despontavam como importante núcleo de cooperação diplomática no mundo e este processo foi benéfico aos brasileiros, antes do governo Bolsonaro e da submissão aos Estados Unidos que ele representa. “A China elegeu o Brasil como parceiro estratégico global, e essa definição diplomática significava que para todas as decisões relevantes de política externa, nós tínhamos uma consulta mútua. Os BRICS passaram a ser um grande elemento da diplomacia no planeta. Nós mudamos, por exemplo, o estatuto do FMI juntos, nós aportamos recursos no FMI na crise, os BRICS passaram a ser um polo absolutamente decisivo. Essa emergência da China incomoda os Estados Unidos, muito, porque eles sabem que estão perdendo a hegemonia econômica, comercial, a liderança”.

Sobre a vacina, Mercadante pontuou que o debate deve ser estritamente científico, até porque muitas dúvidas ainda rondam as substâncias em desenvolvimento para combater a Covid-19, e não se sabe quais serão as futuras necessidades. “Nós estamos diante de uma pandemia, o PIB brasileiro vai cair pelo menos uns 4,5% nesse ano, essa é a previsão da OCDE, tudo depende de uma segunda onda. Ninguém tem a vacina ainda, nós não sabemos qual é a cobertura da vacina, porque a do H1N1 pode cobrir só um certo coquetel de vírus, aquele mais predominante. Então vai ser uma vacina só ou você vai ter que tomar outras vacinas? Nós não sabemos qual é a eficácia, ela é uma vacina que vai imunizar no sentido da contaminação ou só proteger a quem está exposto? Quais são os efeitos colaterais? Quem é que pode ter restrição a ter acesso? Grávida poderá ser vacinada? Idoso poderá ser vacinado? Pessoas que têm comorbidades? Então a discussão da vacina tem que ser científica, técnica”.

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