Com Bolsonaro, 7 de Setembro foi manchado por ameaças, golpismo e exaltação à ditadura
Na celebração do 7 de Setembro de 2021, Bolsonaro fez ataques diretos a ministros do STF, chamando Alexandre de Moraes, por exemplo, de "canalha"
247 - Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), as comemorações do 7 de Setembro se transformaram em comícios políticos, marcados por polêmicas. Bolsonaro fez ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e discursos antidemocráticos. Em 2022, por exemplo, relembra o jornal O Globo, em manifestações de rua em Brasília e no Rio de Janeiro, Bolsonaro participou de carreatas ao lado de ministros, incluindo o candidato a vice-presidente da época, o general Walter Braga Netto. Como já estava se posicionando como candidato à reeleição, Bolsonaro foi acusado de usar a data oficial para ganho político. Na ocasião, ele não mencionou diretamente nenhum ministro do STF, mas declarou que, se fosse reeleito, levaria para "dentro" das quatro linhas da Constituição "todos aqueles que ousam ficar fora delas". "Podem ter certeza, é obrigação de todos jogarem dentro das quatro linhas da nossa Constituição. Com uma reeleição, nós traremos para dentro dessas quatro linhas todos aqueles que ousam ficar fora delas".
Durante o discurso na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, Bolsonaro endossou um coro com comentários machistas: "imbrochável, imbrochável, imbrochável, imbrochável, imbrochável, imbrochável".
Na manifestação de 2021, na Avenida Paulista (SP), que ocorreu durante restrições devido à pandemia da Covid-19, Bolsonaro subiu em um carro de som e atacou abertamente ministros do STF, com destaque para Alexandre de Moraes. Moraes era o relator do caso das milícias digitais e, posteriormente, se tornou relator também dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Bolsonaro chamou Moraes de "canalha" e afirmou que não iria "mais admitir" que o ministro continuasse "açoitando o povo brasileiro". Ele também ameaçou o então presidente do STF, o ministro Luiz Fux, ao afirmar que, se ele não "enquadrasse" o Judiciário, a Corte poderia "sofrer aquilo que não queremos". O ministro Luís Roberto Barroso também foi citado: "não é uma pessoa no Tribunal Superior Eleitoral que vai dizer que esse processo é seguro, usando a sua caneta, desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação", afirmou, em referência a decisões do ministro contra quem mentia sobre o processo eleitoral. Ainda no mesmo evento, Bolsonaro disse que não cumpriria mais decisões judiciais de Alexandre de Moraes. "Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou".
Em 2020, durante o auge da pandemia da Covid-19, não houve manifestações nas ruas, mas Bolsonaro participou da parada militar, uma prática anual, e fez um pronunciamento televisivo no qual mencionou a data histórica de 1822 e elogiou o golpe militar de 1964. "Nos anos 60, quando a sombra do comunismo nos ameaçou, milhões de brasileiros, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, foram às ruas contra um país tomado pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada".
Em seu primeiro ano de governo, em 2019, Bolsonaro utilizou o pronunciamento oficial do Sete de Setembro para criticar o presidente da França, Emmanuel Macron, devido às divergências em relação à Amazônia, que se tornaram uma questão importante nas negociações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia naquele ano. "A todos os brasileiros, nós pedimos, conscientizem-se cada vez mais de quem é esse país, essa maravilha chamada Brasil. Um país ímpar no mundo, que tem tudo para dar certo e precisamos, sim, de cada um de vocês, para reconstruí-lo. E a liberdade está em primeiro lugar. (...) O Brasil é nosso, é verde e amarelo".
