Com resistência de índios, obras recomeçam no setor Noroeste, em Brasília

Terreno onde h ocupao indgena ter prdios residenciais; na manh de hoje, mais de 450 policiais faziam a segurana dos canteiros e pelo menos 50 ndios e apoiadores esto no local

Com resistência de índios, obras recomeçam no setor Noroeste, em Brasília
Com resistência de índios, obras recomeçam no setor Noroeste, em Brasília (Foto: PEDRO LADEIRA/AGÊNCIA ESTADO)
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Sabrina Fiuza e Natalia Emerich_Brasília 247 – As empresas Brasal, João Fortes e Emplavi retomaram as obras para a construção de prédios residenciais no Setor Noroeste às 9h30 desta quinta-feira (10). Para evitar conflitos de indígenas que reivindicam a área e de seus apoiadores com representantes das construtoras, desde as 7h30 policiais militares fazem a segurança no local. Às 10 horas, eram mais de 450. Por volta das 10h20, um dos 50 manifestantes que permanecem no terreno tentou impedir a passagem das máquinas e foi contido pelos policiais. Houve princípio de confusão, resolvido pouco depois sem registro de ocorrência.

As máquinas foram ligadas às 7 horas, mas os trabalhos foram suspensos até que a segurança no local aumentasse – havia 150 policiais. Segundo o major da Polícia Militar Adriano Meireles, os militares foram remanejados de vários pontos do Distrito Federal, inclusive alguns da área administrativa, para não faltar policiamento nas ruas. "Nosso objetivo é garantir a retomada das construções por decisão judicial que nos foi informada na segunda-feira (7)", afirma. Os portões de acesso aos canteiros foram fechados pela PM para evitar a entrada de veículos não autorizados, mas a circulação de manifestantes e indígenas foi permitida. E eles fazem questão de permanecer na área. "Nós temos que garantir a terra", disse Santxiê Tapuya, pajé dos Tapuya.

Os índios estão se unindo para resistir às obras. "Se é para perder o que é nosso, vamos morrer aqui", afirmou Xacurú Tapuya. De acordo com Santxiê, integrantes da etnia Kaiapó do Pará estão a caminho de Brasília para reforçar o movimento. Até um cachorro apareceu no meio da manhã e aumentou a confusão. Conhecido pelos indígenas como Guerreiro, o cão se deitou no meio da estrada e impediu a passagem de caminhões das construtoras. Aplaudido pelos manifestantes, foi retirado pelos policiais em seguida.

Obras autorizadas

A decisão a favor das construtoras foi proferida no domingo (6) pelo juiz de plantão José Márcio da Silveira Silva, da 7ª Vara da Justiça Federal. Ele autorizou que a Brasal, a João Fortes e a Emplave voltassem a tocar as obras no Setor Noroeste, fora dos 4,1815 hectares onde há ocupação indígena. As tribos reivindicam a propriedade de 50 hectares.

O advogado das empresas, Nader Franco, diz que estas se baseiam no direito pleno de propriedade. "A Polícia Militar precisa manter a distância de elementos que queiram entrar aqui." A opinião do militante da Assembleia Popular do Distrito Federal e Entorno Thiago Ávila, 25 anos, é outra: "A polícia veio para desmobilizar e desorganizar a máquina pública".

Para o advogado da etnia Tapuya, Ariel Foina, já existem medidas na Justiça contra as obras e o policiamento. "Estamos esperando duas decisões que podem sair ainda hoje: as posições do corregedor do Tribunal Regional Federal e da desembargadora Federal Selene Maria de Almeida." Ainda segundo o advogado, a última decisão judicial contempla apenas a Emplavi, e não as três empresas.

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