Com transferência de presídio, aumenta chance de delação de Cunha em 2017
Além das citações em delações premiadas da Odebrecht, o presidente Michel Temer e seus aliados têm outro motivo para se preocupar: uma eventual delação do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ); pessoas próximas do ex-parlamentar veem na decisão do juiz Sergio Moro de transferir o peemedebista da carceragem da PFem Curitiba para uma penitenciária comum uma forma de pressão psicológica para que ele aceita delatar, hipótese considerada remota até poucos dias atrás; a possibilidade de Cunha implicar Temer na Lava Jato em 2017 deve, na melhor das hipóteses, causar temor de iguais proporções das delações da Odebrecht
247 - Além das citações em delações premiadas da Odebrecht, o presidente Michel Temer e seus aliados têm outro motivo para se preocupar: uma eventual delação do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Pessoas próximas do ex-parlamentar veem na decisão do juiz Sergio Moro de transferir o peemedebista da carceragem da Polícia Federal em Curitiba para uma penitenciária comum uma forma de pressão psicológica para que ele aceita delatar, hipótese considerada remota até poucos dias atrás.
Cunha é acusado de receber cerca de R$ 5,2 milhões em propina por meio de um contrato de exploração de Petróleo no Benin, na África, e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. A existência de contas no país europeu foi confirmado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Um dos principais "arquitetos" do golpe contra Dilma Rousseff, o peemedebista teve o seu mandato cassado depois de mentir à CPI da Petrobras quando disse não ter contas no exterior.
O ex-presidente da Câmara sinalizou que, se for para um presídio, em condições precárias e com regras de visita rígidas, as chances de negociar delação crescem, principalmente porque se esgotam as tentativas de soltura. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta sexta (16) habeas corpus.
Segundo a coluna de Leandro Colon, um amigo de Cunha afirmou que o cálculo do peemedebista é de curto prazo, de semanas, porque o ex-deputado avalia que seu poder depende da força do governo de Michel Temer: quando mais fraco, menos peso terá uma delação.
Cunha foi preso em outubro, pois, de acordo com o Ministério Público Federal, ele representava risco à instrução do processo e à ordem pública se estivesse em liberdade. Os procuradores argumentaram ainda que “há possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior” e da dupla nacionalidade, uma vez que Cunha tem passaporte italiano.
Em março deste ano, o peemedebista passou a ser réu na primeira ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) originada das investigações da Operação Lava Jato, pois no dia 3 daquele mês, a Corte acolheu, por 10 votos a 0, a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Eduardo Cunha por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O peemedebista é acusado de exigir e receber ao menos US$ 5 milhões em propina de um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras. Em junho, Cunha se tornou réu pela segunda vez por contas na Suíça.
O ex-parlamentar também foi citado pelo empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia. Segundo o delator da Operação Lava Jato, as empresas ligadas à construção do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, teriam que pagar R$ 52 milhões em propinas [cerca de ou 1,5% do valor total dos Certificados de Potencial de Área Construtiva (Cepac)] a Cunha
O fato é que possibilidade de Cunha implicar Temer na Lava Jato em 2017 deve causar temor de iguais proporções das delações da Odebrecht já reveladas.