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Compadre de Bebianno, advogado Sergio Bermudes nega que tenha cartas com revelações bombásticas

Apesar dos boatos, o amigo diz que Gustavo Bebianno nunca lhe disse que "estava escrevendo memória nenhuma". "Não deixou nada escrito e nem deixou cartas comigo”, afirmou. Acrescenta, porém, que não pode garantir que não houvesse alguma coisa escrita em andamento

Advogado Sergio Bermudes e Gustavo Bebianno (Foto: CEUMA / Agência Brasil)

Por Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia - A morte do ex-ministro Gustavo Bebianno, que ocupou o cargo de secretário-Geral da presidência - logo após a posse do presidente de Jair Bolsonaro-, na madrugada deste 14 de março, data que marca também a morte da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, causou impacto e estupor. Bebianno, que vinha desde o rompimento com a família do presidente da República, ameaçando fazer revelações comprometedoras sobre o clã, vivia sob tensão absoluta. Seu desaparecimento num dia que seria marcado por manifestações e lembranças sobre Marielle, leva o noticiário a se voltar para o fato, como era de se esperar.

O ex-ministro foi encontrado morto na manhã de hoje em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. A informação foi dada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem do UOL. Ao UOL, o presidente do diretório do PSDB do Rio de Janeiro, Paulo Marinho, disse que ele passou mal por volta das 4h de hoje. "Infelizmente, é verdade. Passou mal, foi levado ao hospital, tentaram reanimá-lo, mas não resistiu", afirmou por telefone...”

Aos 56 anos, o ex-ministro vinha queixando-se há duas semanas de dores nas costas, para as quais estava tomando apenas analgésicos. Amigos próximos observaram também que Bebianno andava ansioso e comendo além do habitual. Informações que o advogado Sergio Bermudes, amigo, padrinho do filho de Bebianno, João, o mais velho, (ele deixa também uma menina, Maria Amélia) e em cujo escritório ele sempre atuou, desmente.

“A última vez em que estivemos juntos foi na quinta-feira, quando ele e o Paulo Marinho almoçaram aqui em casa. A conversa girou em torno da candidatura dele à prefeitura da cidade de que ele tanto gostava. Ele dizia que estava muito entusiasmado e levantando os principais problemas do Rio para se dedicar a eles. Estava muito entusiasmado. Só falava da campanha e da sua vontade de apresentar ao eleitorado as soluções. Foi o que vi”, contou Bermudes.

Perguntado se ouviu dele alguma queixa sobre a sua saúde, foi enfático: “nunca, jamais, em tempo algum”. Sobre teorias em torno da morte do amigo, descartou dúvidas sobre a causa. “A informação que me foi dada pelo filho dele, o meu afilhado, o João,  por volta de cinco horas da manhã, e logo depois ao Paulo Marinho, é de que ele se sentiu mal, disse que estava com uma dor forte no peito, foi ao banheiro, caiu, foi levado para o hospital, teve um enfarte fulminante e morreu. Eu não sou médico e não posso afirmar nada, mas as informações que me vieram foram de que ele teve um enfarte fulminante”.

Apesar dos boatos de que o ex-ministro teria deixado duas cartas com revelações bombásticas nas mãos do compadre e amigo, Bermudes desmente de forma categórica: “ele nunca me disse que estava escrevendo memória nenhuma. Ele estava era voltado para os problemas do Rio de Janeiro e para as soluções. Não deixou nada escrito e nem deixou cartas comigo. E se existia alguma coisa estava na cabeça dele”.

Sergio Bermudes, porém, faz a ressalva de que não pode garantir que não houvesse alguma escrita em andamento. “Eu não posso garantir. O que posso afirmar é que ele nunca me disse que estava escrevendo”. Sobre a informação de que Bebianno chegou a apalavrar com o editor Jorge Carneiro, da Ediouro, um livro de memórias “devastador”, Bermudes também diz não saber. “Ele não comentou nada disto”.

O advogado também desmente que o ex-ministro estivesse se excedendo na comida. “Não, não, não. Ele sempre teve bom apetite, mas não comia além da conta. Ele não bebia e não comia queijo. Não gostava”. 

Sergio Bermudes revela que durante toda a campanha de Jair Bolsonaro, coordenada por Bebianno, os dois estiveram “afastados”. O motivo: “eu o desaconselhei a fazer a campanha do Bolsonaro, porque eu achava que o Bolsonaro não tinha ideias e por isso ele esteve afastado de mim. Ele só me procurou uma única vez para que eu providenciasse uma visita do Bolsonaro e dele, ao arcebispo do Rio de Janeiro (D. Orani Tempesta). Cumprindo uma agenda de campanha.”

Solicitado que falasse do amigo, Bermudes o definiu: “ele foi um homem nobre, enfrentou com galhardia e humildade a injustiça de que foi vítima, quando o Bolsonaro ingratamente o afastou do ministério para atender o capricho do filho Carlos, mas ele me disse: ‘do Jair eu não tenho raiva. Eu tenho pena pela fraqueza demonstrada. Uma fraqueza que ele não revelou durante a campanha’.”

Sobre o cotidiano do amigo e dos seus hábitos, contou que Bebianno gostava de luta livre e desse tipo de esportes. “Parece até que praticava. Eu nunca me detive a conversar com ele sobre esse aspecto. A gente conversava basicamente sobre política. Ele estava muito entusiasmado com a candidatura dele a prefeito do Rio”, repisou. Quanto ao quadro geral nacional, acrescentou: “o que a gente conversava era sobre as apreensões dele sobre o quadro geral do país”.