Condenado pela ONU, Moro tenta negar sua parcialidade

Ex-juiz suspeito, que perseguiu o ex-presidente Lula e destruiu 4,4 milhões de empregos, fez o primeiro comentário após ser condenado internacionalmente

www.brasil247.com - Sergio Moro e Lula
Sergio Moro e Lula (Foto: Reuters | Ricardo Stuckert)


247 - Após o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) concluir que o ex-presidente Lula (PT) foi vítima de arbitrariedades e da parcialidade do ex-juiz suspeito Sergio Moro (União Brasil-SP) na Lava Jato, tendo tido um julgamento injusto, o ex-magistrado emitiu nota nesta quinta-feira (28) na qual insiste em negar os fatos.

>>> Lava Jato destruiu 4,4 milhões de empregos e custou 3,6% do PIB, afirma estudo da CUT e Dieese

O órgão da ONU atestou que Lula foi um preso político no Brasil por ter sido perseguido politicamente por Moro enquanto juiz. O Comitê avaliou que Moro violou quatro artigos do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos da ONU, do qual o Brasil é signatário. De acordo com a entidade, os direitos de Lula foram violados inclusive na ocasião das eleições de 2018, quando foi proibido de se candidatar a presidente da República.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na nota, Moro sugere que a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular, em 2021, os processos contra o petista influenciaram na conclusão do Comitê da ONU. "Após conhecer o teor do relatório de um Comitê da ONU e não dos órgãos centrais das Nações Unidas, pode-se perceber que suas conclusões foram extraídas da decisão do Supremo Tribunal Federal do ano passado, da 2ª turma da Corte, que anulou as condenações do ex-Presidente Lula. Considero a decisão do STF um grande erro judiciário e que infelizmente influenciou indevidamente o Comitê da ONU. De todo modo, nem mesmo o Comitê nega a corrupção na Petrobras ou afirma a inocência de Lula. Vale destacar que a condenação do ex-presidente Lula foi referendada por três instâncias do Judiciário e passou pelo crivo de nove magistrados. Também é possível constatar, no relatório do Comitê da ONU, robustos votos vencidos que não deixam dúvidas de que a minha atuação foi legítima na aplicação da lei, no combate à corrupção e que não houve qualquer tipo de perseguição política".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

>>> "É uma decisão histórica e uma vitória de todos que acreditam na democracia", dizem advogados de Lula após decisão da ONU

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (28), em resposta à jornalista Dayane Santos, do Brasil 247 e TV 247, Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente, já havia rebatido o argumento que seria posteriormente utilizado por Moro em sua nota. Ele classificou como "lamentáveis" as alegações do ex-juiz, que sempre cita Cortes superiores que ratificaram suas decisões condenatórias - como o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) - para sustentar que agiu corretamente ao longo do processo contra o ex-presidente.

Zanin destacou, no entanto, que a mais alta Corte do Brasil, o Supremo Tribunal Federal, já declarou a nulidade dos processos contra Lula conduzidos por Moro. Agora, foi o Comitê de Direitos Humanos da ONU, uma Corte mundial, que atestou que o julgamento ao qual o ex-presidente foi submetido foi ilegal, parcial e injusto. "Acho lamentável que o ex-juiz Sergio Moro, diante de decisões tomadas pela Suprema Corte do nosso país e por uma Corte mundial, alegue uma condenação que já foi derrubada, e foi derrubada porque nunca poderia ter existido. O presidente Lula foi condenado apenas porque havia um juiz parcial que atuava em conluio com o órgão acusador. Isso ficou provado e reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e agora está reconhecido pela ONU, em uma Corte mundial. Além de lamentável, é desrespeitoso à Suprema Corte e também à própria ONU, esse tipo de afirmação revela até mesmo um desconhecimento da estrutura judiciária".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email