Conselho do MP decide punir procuradora que pediu intervenção militar no Supremo
"Generais, saiam do Twitter e posicionem seus homens no entorno do STF, até que Gilmar Mendes, Lewandowski e Dias Toffoli entreguem suas togas", escreveu a procuradora de Justiça de Minas Gerais Camila de Fátima Gomes Teixeirae em sua página nas redes sociais
247 - A procuradora de Justiça de Minas Gerais Camila de Fátima Gomes Teixeira foi punida pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por publicações que fez em suas redes sociais defendendo uma intervenção militar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em uma das postagens, Camila faz insultos ao ministro Marco Aurélio Mello, afirmando que o magistrado trabalha diariamente para soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na montagem, que tinha uma fotografia do ministro do STF, ela incitou "generais" a tomarem uma "atitude".
"Generais, saiam do Twitter e posicionem seus homens no entorno do STF, até que Gilmar Mendes, Lewandowski e Dias Toffoli entreguem suas togas. Marquem dia que vamos junto: Brasileiros + Exército salvaremos a Lava Jato", escreveu Camila em outra postagem em que convoca os militares a pressionar os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli a renunciarem às cadeiras que ocupam no Supremo.
A defesa da procuradora disse que as publicações da procuradora eram específicas pelo "contexto da internet", uma espécie de "alter ego" em que Camila se sentiu aliviada depois de postar as mensagens. O perfil dela na rede social, que tinha cerca de 1,5 mil seguidores, foi excluído após o início do processo administrativo.
Por unanimidade, os conselheiros consideraram que as publicações contrariam os princípios de "manter ilibada a conduta pública e particular, zelar pelo prestígio da Justiça e tratar com urbanidade os magistrados".
Em reunião realizada nesta terça-feira (12), o conselho decidiu por unanimidade aplicar a pena de suspensão. Mas como a punição não tem previsão na lei orgânica do Ministério Público de Minas Gerais, foi aplicada uma censura a procuradora, ou seja, uma advertência formal.