CPMI do 8 de Janeiro vai focar investigação em financiadores dos atos terroristas
Comissão busca dados financeiros sigilosos para revelar os apoiadores dos movimentos golpistas
247 - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro entra em uma nova fase , com o foco voltado para desvendar os financiadores por trás dos atos antidemocráticos. Enquanto aguarda o depoimento do convocado Anderson Torres, a expectativa é que ele seja ouvido logo na primeira semana da volta dos trabalhos do Congresso, a partir de 1º de agosto.
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, já prestou depoimento à CPI, mas optou por ficar em silêncio, não respondendo aos questionamentos dos parlamentares.
O objetivo agora é identificar e revelar os financiadores dos movimentos antidemocráticos, bem como empresas que possam ter dado suporte a essas ações. A investigação caminha em direção às informações financeiras sigilosas, visando traçar uma linha de tempo desde as eleições até o 8 de janeiro, e desvendar a participação de diversos atores nesse cenário complexo. A expectativa é de que novas estratégias sejam criadas com base nos dados obtidos, para que a CPI alcance seus objetivos de forma efetiva e transparente.
A investigação visa agora analisar documentos importantes, incluindo dados telemáticos, telefônicos e bancários, relacionados a pessoas envolvidas nos atos de cunho golpista. Os pedidos de informação já foram aprovados e abrangem até mesmo parentes dos alvos da CPI. Relatórios sobre as atividades bancárias de Mauro Cid indicaram movimentações suspeitas de grandes volumes de dinheiro, informa reportagem do jornal O Globo.
Enquanto a base do governo busca estudar melhor os documentos sigilosos liberados para se preparar adequadamente, a defesa de Cid considera a ação da CPI uma "cortina de fumaça para desviar o foco". A data do depoimento de Torres tem sido motivo de disputa entre a relatora da CPI, senadora Eliziane Gama, e o presidente do colegiado, deputado Arthur Maia. A oposição busca ouvir Saulo Cunha, que comandava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante os acontecimentos de janeiro, e mira também nas empresas estrangeiras que possam ter apoiado os golpistas.