Credibilidade das Forças Armadas recua e só 20% dizem "confiar muito" nos militares, mostra pesquisa
Os que confiam "mais ou menos" ou "nem um pouco" no Exército, na Marinha e na Aeronáutica somam 63% da população, de acordo com a pesquisa "A Cara da Democracia"
247 - A mais recente edição da pesquisa "A Cara da Democracia", conduzida pelo Instituto da Democracia (IDDC-INCT) e divulgada pelo jornal O Globo, aponta uma diminuição na confiança da população nas Forças Armadas ao longo do último ano. De acordo com o levantamento, apenas 20% dos entrevistados afirmam "confiar muito" nos militares, o que representa uma queda de seis pontos percentuais em relação aos 27% registrados na pesquisa anterior, realizada em setembro do ano passado. A parcela da população que afirma "confiar mais ou menos" no Exército, na Marinha e na Aeronáutica variou de 30% para 33% durante o mesmo período, enquanto a porcentagem daqueles que declaram "não confiar nem um pouco" nas Forças Armadas aumentou de 26% para 30%. >>> "Vai caindo a máscara dessa turma", diz Gleisi, após operação da PF sobre corrupção militar
Essa mudança na percepção pública em relação à instituição coincide com uma série de controvérsias envolvendo os quartéis nos últimos meses, incluindo o envolvimento de militares em questões políticas e sua proximidade com conspirações golpistas. Um exemplo notável dessa situação é o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), que foi preso em maio sob suspeita de fraude no cartão de vacinação do ex-mandatário e está sendo investigado por suposto envolvimento na compra e venda ilegal de presentes oficiais oferecidos a Bolsonaro no exterior. >>> Áudio revela conversa da filha de Mauro Cid sobre golpe
A derrota de Bolsonaro nas urnas levou alguns de seus apoiadores a acampar em frente a quartéis do Exército na esperança de uma intervenção que pudesse reverter o resultado eleitoral. Esse movimento culminou na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro, seguida pela demissão do então comandante do Exército, general Júlio César Arruda. >>> "O zero dois do Exército está do nosso lado", disse o empresário que está no centro da Operação Perfídia
A pesquisa "A Cara da Democracia" envolveu 2.558 entrevistas presenciais com eleitores em 167 cidades de todas as regiões do país, realizadas entre 22 e 29 de agosto. O estudo foi financiado pelo CNPq, Capes e Fapemig e conduzido pelo Instituto da Democracia (IDDC-INCT), que reúne pesquisadores das universidades UFMG, Unicamp, UnB e Uerj. A margem de erro é estimada em dois pontos percentuais para mais ou menos, com um índice de confiança de 95%.