Críticas ao Foro de São Paulo são mais importantes para a direita que para a esquerda e tendem a reeleger Bolsonaro

Alvo do presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados, especialmente do guru e astrólogo Olavo de Carvalho, o Foro de São Paulo virou uma necessidade da extrema-direita que vê no discurso de criminalização da esquerda um apoio à reeleição do ex-capitão à Presidência da República em 2022, diz reportagem da BBC Brasil

Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Correa/PR)

247 - Alvo do presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados, especialmente do guru e astrólogo Olavo de Carvalho, o Foro de São Paulo virou uma necessidade da extrema-direita que vê no discurso de criminalização da esquerda um apoio à reeleição do ex-capitão à Presidência da República em 2022, diz reportagem da BBC Brasil

A primeira reunião do Foro, em 1990, foi realizada em São Paulo com cerca de 60 partidos. Atualmente, são 120 siglas, de 25 países e a 25ª edição será realizada nesta quinta-feira (25) em Caracas. Desde sua criação, o Foro demonstrou preocupação com o avanço neoliberal sobre a América Latina.

“Em seu auge, entre 2008 e 2009, o Foro de São Paulo abrigava os partidos dos presidentes de Brasil, Argentina, Bolívia, Venezuela, Equador, entre outros. "Ganhou peso nas discussões o intercâmbio sobre as experiências desses governos. Mas nunca houve 'exportação' nem 'importação' de modelos, houve intercâmbio de opiniões", afirma ", afirma o ex-secretário-executivo do Foro de 2005 a 2013 e autor do livro "Foro de São Paulo: construindo a integração latino-americana e caribenha”. 

Para o historiador da Universidade Federal Fluminense Daniel Aarão Reis; “o Foro de São Paulo poderia ser um grande espaço de debate dessa problemática, mas se tornou um instrumento de louvação política, sempre condicionado pelo inimigo comum. O foro nunca se vertebrou como uma Internacional Comunista, como a direita gosta de dizer, extrapolando, mas também não serviu como fórum para críticas e sugestões das esquerdas. Temendo desagregação das alianças, optou-se pelo silêncio”, disse à BBC. 

Avaliação semelhante é feita por Denis Rosenfield, professor de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e fundador do Instituto Millenium, que defende o neoliberalismo. "O Foro de São Paulo hoje é muito mais uma necessidade da extrema-direita do que da esquerda. Olavo de Carvalho e sua turma vão brigar com quem? Com o Rodrigo Maia? O pensamento deles funciona com base nessa conspiração, em que há um grande projeto de dominação das esquerdas cujo centro de comando é o Foro. É contra esse inimigo que essas pessoas se orientam e se unem”, diz. "Se o Foro de São Paulo e o PT desaparecem, a reeleição de Bolsonaro em 2022 está a perigo. Eles precisam manter vivos esses inimigos", completou. 

Leia a íntegra da reportagem na BBC Brasil

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