'Dalide ferrou o Gilmar', diz advogada citada em reportagem sobre delação da JBS

Ministro do STF Gilmar Mendes pediu que o ministro da Justiça, Torquato Jardim, investigue denúncia da revista Veja que aponta ligações entre a advogada Renata Gerusa Prado de Araújo, ligada a JBS, e Dalide Corrêa, funcionária do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade de Gilmar; Dalide, apontada como pessoa de confiança de Gilmar, teria sido procurada pela advogada que estaria temerosa que a delação de executivos da JBS comprometessem o ministro, além dela própria; "Dalide ferrou o Gilmar", disse Renata em uma gravação entregue ao MPF  

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes (Foto: Paulo Emílio)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes enviou ofício ao ministro da Justiça, Torquato Jardim, pedindo a abertura de investigação de denúncia publicada pela revista Veja acerca da existência de mensagens da advogada Renata Gerusa Prado de Araújo, ligada ao grupo empresarial J&F, controlador da JBS, e Dalide Corrêa, funcionária do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro do STF. Dalide, que é apontada como pessoa de confiança de Gilmar, teria sido procurada pela advogada que estaria temerosa que a delação de executivos da JBS comprometessem o ministro, além dela própria. "Dalide ferrou o Gilmar", segundo a advogada.

A troca de mensagens entre Renata e Dalide foi encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) por Pedro Bettim Jacob, ex-marido da advogada. Em uma das conversas gravadas por Bettim, Dalide teria dito que sabia que o diretor jurídico da JBS Francisco de Assis e Silva seria a única pessoa que poderia barrar possíveis implicações da delação de executivos do grupo empresarial contra Gilmar e sua pessoa de confiança. Ainda segundo a publicação, o temor era que o material fosse repassado à Procuradoria Geral da República.

Para evitar esta possibilidade, Dalide teria contatado a desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), Maria do Carmo Cardoso, mãe de Renata, pouco tempo depois do teor das primeiras delações da JBS serem reveladas. "Aí minha mãe (desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso) falou: ô, Renata, você tem que garantir que com a Dalide não acontece nada, eu gosto muito da Dalide", disse Renata na conversa gravada por Bettim.

O ex-marido de Renata também teria ressaltado a necessidade de preservar Gilmar Mendes no episódio. "Isso. Óbvio. Mas a Dalide primeiramente. A Dalide ferrou o Gilmar", disse Gilmar para, posteriormente, afirmar que o próprio Gilmar teria pedido que ela resolvesse a situação.

"Tendo em vista as graves ilações publicadas na Revista Veja, Edição 2547, ano 50, n. 50, data de 13.9.2017, na matéria intitulada 'O que a JBS não contou', solicito imediata instauração de investigação a respeito das declarações constantes na referida matéria, para que assim fiquem desde logo esclarecidos os fatos e as circunstâncias em que prestadas. Coloco-me à disposição para demais esclarecimentos", destacou Gilmar Mendes no ofício encaminhado ao ministro da Justiça.

Segundo a reportagem, Dalide teria dito conhecer pessoalmente Francisco de Assis e Joesley Batista, um dos donos e delatores da JBS, e que negociava com diretores do grupo empresarial patrocínios para o Instituto de Gilmar Mendes. Ela, porém, negou ter procurado auxílio para "apaziguar a relação".

Ainda segundo as gravações entregues por Bettim, Renata e Francisco de processos que tramitavam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que estariam sob responsabilidade dos ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Maruro Campbell e João Otávio de Noronha. Ainda segundo a Veja, não é possível comprovara esta ligação, até porque a maioria das decisões dos ministros citados foi contrária aos interesses da JBS.

 

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