Debora Diniz responde Tabata Amaral: para uma feminista, não há dilema sobre aborto

A professora de Direito Debora Diniz não aprovou que a deputada federal Tabata Amaral tenha tratado a interrupção da gravidez como dilema. "O dilema é a narrativa do patriarcado. Respeito o desejo de Tabata Amaral de ser feminista na pauta educacional ou de violência contra as mulheres. Só não há feminista que ignore que aborto é sobre a vida das mulheres"

Tabata Amaral e Debora Diniz
Tabata Amaral e Debora Diniz (Foto: Câmara dos Deputados)
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247 - A professora de Direito Debora Diniz respondeu nesta quinta-feira (20) no Twitter a deputada federal Tabata Amaral por ter tratado o aborto como um dilema. Debora desaprovou tal abordagem sobre o tema por uma mulher que se define como feminista, já que a interrupção da gravidez para o feminismo não é dilema, é sobre cuidar e respeitar os direitos das mulheres.

"Deputada Tabata Amaral descreveu o aborto como um dilema. E se definiu como 'feminista'. Queria conversar por que o aborto não é um dilema, e por que não há feminista que aceite mulher presa por aborto. Se a deputada aceitar, adoraria uma conversa. Um dilema é quando só há duas respostas possíveis para uma questão. Para uma feminista, não há dilema: optamos por cuidar, respeitar e reconhecer o direito das mulheres à vida livre de coerção. O dilema é a narrativa do patriarcado. Para uma feminista, o dilema patriarcal se transforma em escolhas sobre prender ou não prender mulheres; adoecer ou cuidar de mulheres; forçar a menina de 10 a gestar, ou proteger a vida dela. Assim, respeito o desejo de Tabata Amaral de ser feminista na pauta educacional ou de violência contra as mulheres. Só não há feminista que ignore que aborto é sobre a vida das mulheres. Explico neste artigo por que não acredito feminista que fale em 'contra' ou 'em dilema'", escreveu a professora.

A deputada respondeu: "acabei de ser surpreendida pelo seu post no Instagram. Então você é feminista e, do seu pedestal de sororidade e empoderamento feminino, posta uma charge machista, que reforça os estereótipos e infantilização contra os quais tanto lutamos, para chamar atenção nas redes sociais? Isso não só é ofensivo e desrespeitoso, como também extremamente triste. Meu trabalho e luta é para que todas as mulheres possam ocupar seu lugar na política, independentemente de pensarem igual a mim ou não. Acredito no diálogo e não no deboche, ridicularização e lacração que marcam o ambiente virtual e que, sim, tentam desqualificar e silenciar quem pensa diferente. Um convite sincero para o diálogo nunca viria na forma de uma charge ofensiva postada nas redes sociais".

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