Defendida por Guedes, capitalização impulsionou desigualdades no mundo, diz OIT

Organização associa gestão privada das aposentadorias à baixa cobertura e redução de benefícios, afetando sobretudo a população mais pobre; 18 dos 30 países estudados restabeleceram parcial ou totalmente a gestão estatal; isso ocorreu por conta de o modelo ter se mostrado ineficaz, insuficiente ou por ter contribuído para os aumentos das desigualdades sociais, beneficiando estritamente o mercado financeiro

Defendida por Guedes, capitalização impulsionou desigualdades no mundo, diz OIT
Defendida por Guedes, capitalização impulsionou desigualdades no mundo, diz OIT (Foto: Esq.: Valter Campanato - ABR / Dir.: Antonio Cruz - ABR)

247 - A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou que o modelo de capitalização da previdência, adotado em muitos países, contribuiu para a desigualdades renda e de gênero. De acordo este modelo, previsto na Reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro, o cidadão abre uma conta individual e faz um espécie de poupança para depositar mensalmente um valor do seu salário e bancar seus benefícios no futuro. O estudo da OIT apontou que, em 18 dos 30 países que adotaram o modelo de capitalização entre 1981 e 2014, privatizando os sistemas de previdência social, o projeto precisou ser revisto parcial ou totalmente.

"A grande maioria dos países se afastou da privatização após a crise financeira global de 2008, quando as falhas do sistema de previdência privada tornaram-se evidentes e tiveram que ser corrigidas", diz o documento. 

Na Bolívia, as pensões privadas representam, em média, a 20% do salário médio durante a vida ativa do trabalhador.

No Chile, o primeiro país a privatizar a previdência, a mediana das taxas de substituição futuras é de 15%, valor que desce a 3,8% entre os trabalhadores de baixa renda.

"A deterioração do nível das prestações sociais resultou em aumentos da pobreza na velhice, comprometendo o objetivo principal dos sistemas de previdência, que é a garantia de renda suficiente para a idade avançada, e exigindo, como consequência, um apoio público significativo", defende a OIT.

A pesquisa traz dados de 14 países latinos, indicando a realidade de economias similares à brasileira, mas também aborda países europeus e africanos. Dentro dos 30 países analisados pela OIT, estão: América Latina – Chile (primeiro a privatizar, em 1981), Peru (1993), Argentina e Colômbia (1994), Uruguai (1996), Estado Plurinacional da Bolívia, México e República Bolivariana da Venezuela (1997), El Salvador (1998), Nicarágua (2000), Costa Rica e Equador (2001), República Dominicana (2003) e Panamá (2008);

Segundo o estudo, 14 são do leste europeu e da antiga União Soviética – Hungria e Cazaquistão (1998), Croácia e Polônia (1999), Letônia (2001), Bulgária, Estônia e Federação Russa (2002), Lituânia e Romênia (2004), Eslováquia (2005), Macedónia (2006), República Checa (2013) e Armênia (2014).

Outros dois são da África – Nigéria (2004) e Gana (2010).

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