Delator denuncia caixa 2 de R$ 10 mi para campanha de Pedro Taques

O empresário Giovani Guizardi, em colaboração premiada firmada com o Ministério Público Estadual (MPE), afirmou que as fraudes na Secretaria Estadual de Educação (Seduc) do Mato Grosso teriam o intuito de pagar o investimento de R$ 10 milhões feito pelo empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, na campanha do governador Pedro Taques (PSDB), em 2014; a informação consta no depoimento prestado pelo empresário, dono da Dínamo Construtora, no dia 16 de novembro; Guizardi foi preso em maio deste ano, durante a Operação Rêmora, sob a acusação de gerir o esquema de fraudes em licitações e propina na secretaria

Entrevista do Senador Pedro Taques, ap�s reuni�o da Comiss�o Mista de Consolida��o da Legisla��o Federal para apresenta��o do texto do projeto de lei complementar que regulamentar� a emenda constitucional do trabalho dom�stico (EC 72/2013)
Entrevista do Senador Pedro Taques, ap�s reuni�o da Comiss�o Mista de Consolida��o da Legisla��o Federal para apresenta��o do texto do projeto de lei complementar que regulamentar� a emenda constitucional do trabalho dom�stico (EC 72/2013) (Foto: Valter Lima)

247 - O empresário Giovani Guizardi, em colaboração premiada firmada com o Ministério Público Estadual (MPE), afirmou que as fraudes na Secretaria Estadual de Educação (Seduc) do Mato Grosso teriam o intuito de pagar o investimento de R$ 10 milhões feito pelo empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, na campanha do governador Pedro Taques (PSDB), em 2014.

A informação consta no depoimento prestado pelo empresário, dono da Dínamo Construtora, no dia 16 de novembro. A oitiva foi feita no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Guizardi foi preso em maio deste ano, durante a Operação Rêmora, sob a acusação de gerir o esquema de fraudes em licitações e propina na secretaria. Ele foi solto nesta semana e passou a cumprir prisão domiciliar após firmar a delação.

De acordo com o depoimento, a organização criminosa foi montada em 2015, com o objetivo de arrecadar "fundos ilícitos" para saldar pagamentos não declarados em campanhas eleitorais ocorridas no ano de 2014. "Não fui eu quem criou a referida organização, mas me vi envolvido a participar através da pessoa de Alan Malouf", disse. O dono da Dínamo disse que conhece Alan Malouf desde criança e que é casado com Jamille Guizardi, prima do sócio do buffet.

Guizardi contou que quando Alan Malouf o inseriu no esquema, já existia uma organização criminosa na pasta, que contava com a participação do então secretário Permínio Pinto, do ex-servidor Fábio Frigeri e dos empreiteiros Leonardo Guimarães e Ricardo Sguarezi. "No final do ano de 2014, Alan Malouf mencionou que investiu a quantia de R$ 10 milhões na campanha do atual governador Pedro Taques, valor este não declarado, tendo dito também que teria que recuperar esse valor investido junto ao Estado", disse.

O empresário disse que, possivelmente no segundo semestre do ano de 2014, fez uma doação de R$ 300 mil para a campanha de Taques, "valor esse que foi entregue em espécie nas mãos da pessoa de Alan Malouf. Tenho o costume de fazer esse tipo de doação para não ter 'dificuldades' nas atividades junto ao Governo. Essa prática é comum entre os empresários. Cheguei a doar R$ 1 milhão na campanha de Silval Barbosa. Não sei informar se esse valor de R$ 300 mil foi declarado", disse.

Guizardi contou que procurou Alan Malouf em março de 2015, ocasião em que pediu que sua empresa pudesse trabalhar em obras da Seduc, "pois segundo o declarante, este nunca teve obras na construção civil em tal secretaria". "Na mesma época, e tendo interesse em trabalhar na referida pasta, Alan Malouf marcou um encontro junto comigo com o então Secretário de Educação Estadual, Permínio Pinto Filho. Que tal encontro ocorreu no Buffet Leila Malouf, de propriedade da família de Alan Malouf, localizada na Rodovia que liga Cuiabá ao Distrito da Guia, logo após o Colégio Plural", diz o depoimento.

"O encontro teria ocorrido em dia de semana, próximo ao horário de almoço, ou seja horário de almoço de Permínio. Neste encontro se faziam presentes apenas eu, Alan e Permínio. Naquela oportunidade, eu e Permínio fomos apresentados, e me coloquei à disposição da Seduc em relação a eventuais obras que poderiam ser licitadas e que tinha interesse em concorrer", complementa.

Naquele momento, Permínio teria dito a Guizardi que os projetos das obras ainda estavam em fase de elaboração e que tinha algumas demandas mais específicas, como a questão de manutenção de prédios escolares, tendo perguntado ao empreiteiro se ele tinha conhecimento desta área. "Eu não tinha conhecimento específico, mas me coloquei à disposição para pesquisar o que havia no mercado", contou.

Após a reunião, Guizardi relatou que procurou o então superintendente de estrutura escolar da Seduc, Wander Luiz (também réu da ação), para conversar sobre as obras. "Mantive vários contatos telefônicos com Wander, sendo que um mês após, em outra visita na sede da Seduc, questionei Wander sobre as obras que seriam licitadas em relação ao citado órgão. Wander afirmou que estaria tendo dificuldades com os projetos, ocasião em que informei ao Wander que as pessoas que teriam investido na campanha do Governador Pedro Taques teriam que receber o dinheiro que haviam investido. Wander, no decorrer dessa conversa, entendeu que a pessoa que investiu na citada campanha seria Alan Malouf".

Guizardi disse que Wander se mostrou surpreso com a declaração, uma vez que, conforme o então servidor, o secretário Permínio Pinto e o ex-servidor Fábio Frigeri já estavam recebendo dinheiro do esquema. "O próprio Wander citou que as empresas Aroeira Construtora Ltda e Relumat, ambas de propriedade de Ricardo Sguarezi, bem como a empresa JER, de propriedade de Leonardo Guimarães Rodrigues, já estavam "operando" com o secretário Permínio Pinto. Eu entendi que haviam pagamentos de vantagens indevidas, propina. Naquele mesmo dia, solicitei a Wander que verificasse "como estava sendo essa operação".

Dias após a reunião, Guizardi disse que se encontrou novamente com Wander Luiz - em março ou abril de 2015 - para saber como funcionava o esquema. "Wander afirmou que essa "operação" havia ocorrido da seguinte forma: solicitaram, de forma antecipada, 5% de propina do valor total, em relação a um dos contratos de prestação de serviços da empresa Aroeira e da empresa JER, sendo que essas obras sequer tinham sido executadas na sua totalidade".

Apesar de Wander não ter mencionado quem havia pedido o pagamento de propina antecipada, Guizardi entendeu que se tratava do então secretário, "pois o pessoal da Aroeira tinha acesso direto ao Permínio". "Fábio Frigeri também me relatou que o Ricardo Sguarezi pagava um percentual de 15% de propina sobre o valor de contratos de locação de salas de aula com a empresa Relumat, sendo que o valor girava em torno de R$ 27 mil a R$ 30 mil de propina por mês e, segundo Fábio, eram entregues diretamente a ele ou ao Permínio".

Em agosto do ano passado, já com o esquema em funcionamento, Guizardi disse que recebeu na sede da Dínamo o empresário Ricardo Sguarezi e seu irmão. Na "visita", Sguarezi teria lhe entregado R$ 29 mil em dinheiro referente às propinas. "Não me recordo ao certo, mas acredito que recebi este valor porque, na época, Permínio estaria viajando; diante dessa informação, reuni com Alan Malouf, dizendo ao mesmo que somente ele (Alan Malouf) não estaria recebendo, visto que teve informação de que outros patrocinadores estariam recebendo através do então Secretário Permínio Pinto, ocasião em que mencionei toda a conversa que travei com Wander".

Em razão disso, Guizardi sugeriu a Alan Malouf uma forma de ampliar a maneira de receber as propinas de empresas que tinha contrato com a Seduc. "Mencionei a Alan Malouf que esse 'esquema' já vinha sendo realizado pelo proprietário da Aroeira, senhor Ricardo Sguarezi, o qual operou dessa maneira até o mês de novembro do ano de 2014, fato esse mencionado pelo próprio Wander. Inicialmente Alan Malouf refutou essa ideia, por entender que 'não cheirava bem'";

"Passados mais alguns dias, procurei novamente Alan Malouf cobrando dele uma decisão para ampliar o esquema de arrecadação de vantagem indevida; todas as reuniões com Alan Malouf ocorreram no Buffet Leila Malouf; então passei a relatar para Alan Malouf como funcionava o esquema anterior e como deveria funcionar o esquema proposto".

Na nova proposta de esquema, Guizardi disse que sugeriu a Alan Malou o aumento de 3% para 5% o percentual de propina a cobrar dos valores que as empresas tinham a receber da Seduc. "Esse percentual de 5% seria dividido da seguinte forma: a) 25% para o deputado estadual com poder político dentro da Seduc", Guilherme Maluf; b) 25% para o Secretário de Educação, Permínio Pinto; c) 25% para Alan Malouf; d) 5% para Fábio Frigeri; e) 5% para Wander; f) 5% a título de administração do esquema (combustível, telefone celulares, energia, aluguel da sala comercial no Edifício Avant Garden, etc..); g) 10% para o declarante;

"Utilizei o seguinte critério para divisão da propina: a entrega de uma maior porcentagem (25%) para aquelas figuras que formalmente eram os responsáveis pela pasta, no caso o Permínio, que era o secretário, e Guilherme Maluf, que era quem detinha real poder político na pasta, bem como a mesma percentagem para aquele que efetivamente pôs dinheiro na campanha de governo do Estado, que era o Alan Malouf".

Veja abaixo a nota do governador Pedro Taques na íntegra:


Diante das notícias trazidas a público nesta quinta-feira (1º) pela imprensa sobre suposta “delação” do réu na operação Rêmora, Giovani Belatto Guizardi, o governo de Mato Grosso esclarece:
1) O governador Pedro Taques tomou as medidas que lhe competiam - quando da deflagração da Operação Rêmora (que apura eventuais crimes contra o patrimônio público na Secretaria de Estado de Educação - Seduc) -, exonerando e/ou afastando todos os servidores públicos denunciados, inclusive o ex-secretário de Educação. Tal medida, por si só, demonstra a firmeza do governador e do Governo no combate à corrupção e na apuração de qualquer denúncia que envolva atos de improbidade no âmbito do Governo do Estado de Mato Grosso;
2) O governador lamenta o envolvimento de seu nome no caso, refuta com veemência qualquer tentativa de envolvê-lo em qualquer ato ilegal, uma vez que jamais tratou com quem quer seja de nenhum assunto relacionado à investigação;
3) Pedro Taques lamenta, ainda, que pessoas do seu convívio pessoal, político ou partidário possam estar envolvidas em malfeitos, e reitera seu entendimento de que ninguém está acima da lei e apoia investigação para que, ao final, comprovados os fatos denunciados, todos os envolvidos sejam punidos com o rigor da lei;
4) O governador reitera o que já disse em outras situações, de que a prestação de contas da sua campanha eleitoral de 2014 foi aprovada sem ressalvas pela Justiça Eleitoral e que, por essa razão, repudia toda e qualquer tentativa de envolvê-lo em qualquer ato ilegal, prática que ele sempre combateu ao longo da sua vida, especialmente nos 15 anos nos quais atuou como Procurador da República.

 

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