Delegado Saraiva denuncia “máfia da Amazônia” do governo Bolsonaro e cita nomes

Delegado da PF Alexandre Saraiva citou integrantes do que ele chamou de “bancada de marginais, de bandidos”: Carla Zambelli, Telmário Motta, Jorginho Melo e outros

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(Foto: Divulgação)


247 - O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, ex-superintendente da PF no Amazonas, denunciou nesta terça-feira (14) uma série de parlamentares que fariam parte do que ele chamou de Bancada do Crime na Amazônia. 

Durante participação de Saraiva no programa Estudio I, da Globonews, Saraiva foi perguntado se já havia sido ameaçado de morte e afirmou que "a maior parte dos políticos do Norte" trabalharia para o crime organizado: "deputados, senadores e governadores". 

"Vou dizer nomes: Zequinha Marinho, Telmário Mota, Mecias de Jesus, Jorginho Melo (de Santa Catarina!), mandou ofício... Carla Zambelli foi lá também, defender madeireiro junto com Ricardo Salles. Nós temos uma bancada do crime. Na minha opinião, de marginais. São bandidos", afirmou Alexandre Saraiva. 

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Em 2021, Alexandre Saraiva foi transferido da Superintendência da PF no Amazonas após comandar a maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil e foi retirado do cargo um dia após apresentar ao STF uma notícia-crime contra Ricardo Salles. Saraiva acusava Salles de dificultar as investigações.

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Leia também matéria do Brasil de Fato sobre o assunto: 

Caso Bruno e Phillips escancara o perigo de defender a floresta no Brasil; veja casos recentes

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Bruno Pereira aparece sentado no meio da mata da Terra Indígena (TI) do Vale do Javari, no Amazonas. Num vídeo antigo que viralizou nesta segunda-feira (13), o indigenista - desaparecido com o jornalista inglês Dom Phillips desde o último dia 5 – marca o ritmo com o pé ao entoar um canto indígena da região. Termina rindo junto com pessoas que não aparecem na imagem, dando em seguida dois tragos num cigarro.

O vídeo, que poderia ser só um registro bonito, ganha ares de comoção em contexto de informações desencontradas e pressão nacional e internacional para que os desaparecidos sejam encontrados.

Como um paradoxo trágico que se retroalimenta, quanto mais o Brasil precisa de defensores dos povos das florestas e seus territórios, mais perigoso é ser um deles. Segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgado em abril, o número de mortes em conflitos nas zonas rurais do país aumentou 1.000% entre 2020 e 2021.   

A região amazônica, onde Bruno e Dom desapareceram, palco de casos emblemáticos de atuações e execuções de ativistas ambientais como Chico Mendes e Dorothy Stang, despontou no levantamento feito pela CPT. A Amazônia concentrou 52% de todos os conflitos por terra do país no ano passado. Nos nove estados que compõem a Amazônia Legal aconteceram 80% dos assassinatos daí decorrentes.

Nesta segunda-feira (13), enquanto equipes policiais e indígenas faziam mais um dia de busca no rio Itaquaí, centenas de pessoas protestavam em Atalaia do Norte (AM), onde o indigenista e o jornalista planejavam chegar.

Em roda, com cantos e gritos, indígenas dos sete povos representados pela União dos Povos do Vale do Javari (Univaja) denunciaram a falta de atuação contra os invasores de seus territórios, a indignação com o sumiço de Pereira e Phillips e a recorrência da violência contra indígenas e aliados. Relembre alguns casos recentes:

Sarapo Ka’apor  

No último dia 14 de maio, Sarapo Ka’apor, aos 45 anos de idade, comeu um peixe. Horas depois, morreu. Liderança da Guarda de Autodefesa dos Ka’apor na TI Alto Turiaçu, na Amazônia maranhense, Sarapo atuava no combate à invasão de madeireiros, garimpeiros e mineradores na área protegida. 

Alvo de perseguição e ameaças, como uma tornada pública pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em janeiro, Sarapo estava incluído no programa estatal de proteção para pessoas ameaçadas. Não adiantou.   

"Tememos que pessoas influentes tenham encomendado serviço de matadores para envenenar Sarapo", escreveu em nota o Tuxa Ta Pame, Conselho de Gestão do povo Ka’apor. Por isso, os indígenas reivindicam a exumação do corpo da liderança e justiça.  

Zezico Rodrigues Guajajara 

Também no Maranhão, a 476 km de São Luís, Zezico Rodrigues Guajajara foi alvejado próximo a Aldeia Zutiuá, na cidade de Arame, em 31 de março de 2020.  

Zezico era diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Aruru e vinha denunciando a derrubada da floresta e o roubo de madeira da região.  

Foi nessa mesma TI Araribóia - área de 413 mil hectares onde vivem cerca de 12 mil indígenas - que o povo Guajajara já havia vivido, no ano anterior, a execução do jovem Paulino, outra de suas lideranças. 

Paulo Paulino Guajajara 

Apelidado de "Lobo mau" e "Guardião da floresta", Paulo Paulino Guajajara foi vítima de uma emboscada quando voltava de um dia de caça com um amigo, Laércio Guajajara, que conseguiu escapar ferido. Era 1 de novembro de 2019 e, atingido com tiros pelas costas, Paulino não sobreviveu.

Casado e com um filho pequeno, Paulino Guajajara também integrava o grupo indígena que atuava na preservação da mata e de seu povo, no combate à extração de madeira. Seu pai, líder espiritual, é um dos importantes cantadores tradicionais dos Guajajara.

Ari Uru-Eu-Wau-Wau 

Parece a mesma história, mas é outra – com enredo repetido. Como Bruno Pereira, Sarapo Ka’arapo e Paulino Guajajara, Ari Uru-Eu-Wau-Wau também integrava um grupo auto-organizado de vigilância em defesa da floresta, registrando e denunciando extrações ilegais de madeira dentro de seu território, em Rondônia.  

Também já havia recebido ameaça de morte, antes dela se concretizar em 18 de abril de 2020. Ari foi morto aos 33 anos de idade na manhã de um sábado na estrada do município de Jaru (RO). 

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