Depois do PDT de Ciro, o PSDB de Aécio alia-se a Bolsonaro pelo voto impresso

Ciro Gomes primeiro, há um mês, e Aécio Neves agora, esta semana, são os dois principais aliados de Bolsonaro na tentativa de impor a volta do voto impresso no país

Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Aécio Neves
Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Aécio Neves (Foto: Reuters | Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
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247 - A bandeira bolsonarista do voto impresso, que já conquistara a adesão do PDT de Ciro Gomes, há um mês, avança agora sobre o PSDB. Os dois integrantes dos tucanos na comissão que analisa a proposta, Aécio Neves (MG) e Nilson Pinto (PA) também apoiam a proposta de Bolsonaro que se traduziu num projeto da deputada de extrema-direita Bia Kicis (PSL-DF). 

Aécio, como Bolsonaro, tem em sua história o questionamento de resultados eleitorais em pleitos com as urnas eletrônicas. Aécio contestou o resultado da eleição em 2014, depois de ter sido derrotado por Dilma Rousseff. Bolsonaro alegou fraude na eleição em que venceu, em 2018. 

Levantamento realizado pelo jornal O Estado de S.Paulo com os  32 deputados da comissão que analisa o tema na Câmara mostra que 21 são favoráveis e apenas quatro se opõem. Outros sete afirmaram ainda estar indecisos. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, passou quatro horas nesta quarta-feira, 9, debatendo o assunto com os parlamentares, afirmou que a medida representa um “retrocesso”, mas que, uma vez aprovado, o novo sistema será adotado.

Segundo a reportagem, adversários do governo veem na impressão do voto uma possibilidade de auditoria para frear o discurso de fraude eleitoral adotado por Bolsonaro. O PT e a Rede são os únicos partidos que se colocaram contrários à medida na comissão. A aprovação no colegiado é o passo mais importante para a proposta, sem a qual a discussão não chegaria aos plenários da Câmara e do Senado.

Nesta quarta, em evento com líderes evangélicos em Anápolis (GO), o presidente repetiu que a disputa de 2018, quando se elegeu, foi fraudada; caso contrário, teria vencido no primeiro turno. “A fraude que existiu me jogou no segundo turno. Tenho provas materiais disso”, disse Bolsonaro. Apesar de ter prometido, ainda em março de 2020, apresentar as provas de irregularidades, o presidente nunca mostrou qualquer evidência.

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