Desembargador que vai julgar HC de Temer já comparou propina a gorjeta

Um dos mais antigos desembargadores do TRF-2, Ivan Athié vai analisar o pedido de liberdade de Michel Temer, preso pela Operação Lava-Jato; Athié já votou pela revogação da prisão de Othon Luiz Pinheiro, ex-presidente de Eletronuclear, estatal investigada no esquema que teria a participação de Temer e do ex-ministro Moreira Franco; ele disse que pagamentos de propinas investigados na Lava-Jato podem ser apenas "gorjeta"

Desembargador que vai julgar HC de Temer já comparou propina a gorjeta
Desembargador que vai julgar HC de Temer já comparou propina a gorjeta (Foto: Divulgação)

247 - Um dos mais antigos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TFR-2), Ivan Athié vai analisar nesta sexta-feira (22) o pedido de liberdade do ex-presidente Michel Temer, preso pela Operação Lava-Jato, acusado de ser "líder de uma organização criminosa" e de usar propina em obra da casa da filha. Athié já votou pela revogação da prisão de Othon Luiz Pinheiro, ex-presidente de Eletronuclear, estatal investigada no esquema que teria a participação de Temer e do ex-ministro Moreira Franco.

Em fevereiro de 2017, o desembargador Athié disse que pagamentos de propinas investigados na Lava-Jato podem ser apenas "gorjeta". A declaração do magistrado aconteceu durante julgamento de pedido de revogação da prisão do ex-presidente da Eletronuclear Othon Silva, condenado a 43 anos de prisão pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

"Nós temos que começar a rever essas investigações. Agora, tudo é propina. Será que não é hora de admitirmos que parte desse dinheiro foi apenas uma gratificação, uma gorjeta? A palavra propina vem do espanhol e significa gorjeta. Será que não passou de uma gratificação dada a um servidor que nos serviu bem, como se paga a um garçom que nos atendeu bem? Essas investigações estão criminalizando a vida", disse ele, segundo relato publicado no jornal O Globo.

Em julho do ano passado, Athié declarou-se suspeito para atuar nos casos sobre Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta, aceitando pedido feito pela procuradora regional da República Mônica de Ré. Na época, o jornal fluminense mostrou que o desembargador já havia sido defendido pelo mesmo escritório de advocacia que atuava em favor do empresário. Cavendish foi um dos cinco beneficiados por decisão do magistrado, que converteu a prisão preventiva dos detidos na Operação Saqueador em domiciliar.

Athié ficou afastado por quase sete anos após ser denunciado pelo Ministério Público Federal sob as acusações de formação de quadrilha e estelionato, quando era juiz no Espírito Santo. Ele foi absolvido.

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