Desfile militar teve tanque dos anos 1970 e blindados da Guerra do Vietnã

Equipamentos utilizados no desfile promovido por Jair Bolsonaro para afrontar o Judiciário e o Legislativo são obsoletos e usam tecnologia ultrapassada, como motor a diesel e canhões da década de 70

(Foto: Pedro França/Agência Senado)
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247 - Especialistas militares ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que os tanques e carros de combate utilizados no desfile militar desta terça-feira (10), promovido por Jair Bolsonaro com o objetivo de afrontar o Legislativo e o Judiciário, mostraram que os equipamentos em uso no Brasil são obsoletos e usam tecnologia ultrapassada, como motor a diesel e canhões que datam da década de 70, da época da guerra do Vietnã. 

Parte dos veículos - que também serão empregados na Operação Formosa, um exercício militar da Marinha - carregavam no topo canhões do tipo SK-105 Kürassier,produzido pela Áustria no início dos anos 1970.Os SK-105 Kürassier são usados no Brasil exclusivamente pelo Corpo de Fuzileiros Navais e a compra de 17 unidades foi efetivada no final dos anos 1990. A entrega foi feita a partir de 2001. 

A Áustria, porém, já abandonou esse tipo de tanque há quase 30 anos. Atualmente, estes tanques leves permanecem em atividade na Argentina, Bolívia, Brasil, Botsuana, Marrocos e Tunísia. "Já andei nesses blindados e, na hora em que vi aquela fumaça, imaginei que o comandante deveria estar se borrando, com medo de que o veículo parasse na frente do presidente. Aquela fumaça preta significa que o motor está desgastado, a ponto de estourar e deixar o comandante na mão", disse João Marcelo Dalla Costa, especialista em veículos blindados e ex-professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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Parte dos veículos de transporte VBTP (Viatura Blindada para Transporte de Pessoal) utilizados no desfile também são considerados obsoletos. “O M113, por exemplo, é usado desde a época da Guerra do Vietnã, que durou entre 1959 e 1975”, destaca a reportagem. Os blindados usados pelo Brasil, contudo, passaram por uma série de modernizações, mas são considerados ultrapassados frente aos equipamentos disponíveis no mercado bélico atualmente. 

Na parada, também foram exibidos blindados como o AAV-7A1, conhecido como Clanf (ou Carro sobre Lagarta Anfíbio), de origem norte-americana e o Piranha 3,  terceiro tipo que apareceu no desfile foi o Piranha 3, fabricado na Suíça e disponível no mercado há pelo menos cinco décadas. Apesar de portarem metralhadoras e lançadores de granadas, estes blindados podem ser alvos fáceis para drones e aeronaves em uso por outras forças militares. 

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O Astros II, sistema de lançadores de foguetes produzido pela brasileira Avibras, também chamou a atenção dos especialistas. "Essa é a nata da tecnologia militar brasileira, o que temos de mais avançado junto com o veículo blindado Guarani [que não integra os treinamentos de Formosa]", ressaltou Costa. "Hoje, nossos foguetes têm entre 30 e 80 km de alcance, mas está em processo de construção um equipamento com 300 km de alcance, que permitirá defender toda a nossa região costeira", completou. 

"É evidente que nossa tecnologia está ultrapassada em relação ao que temos de mais avançado em outras partes do mundo, mas ela é condizente com o potencial bélico dos outros países da América Latina", avaliou Luiz Guilherme de Oliveira, professor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de artigos sobre tecnologia militar e blindados."Talvez o Chile e a Venezuela se sobressaiam um pouco, já que possuem equipamentos de origem russa", observa Nelson Ricardo Fernandes da Silva, major da reserva do Exército e analista do portal Gestão de Risco. 

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