Desmate da Amazônia aumenta 64% em abril de 2020 em meio à pandemia

A destruição da porção brasileira da Amazônia aumentou 64% em abril, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados preliminares de satélite do INPE

Área desmatada da floresta amazônica em Novo Progresso, no Pará
Área desmatada da floresta amazônica em Novo Progresso, no Pará (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
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Sputnik - O desmatamento na Floresta Amazônica brasileira aumentou acentuadamente em abril, mostraram dados do governo nesta sexta-feira (8), com o surto de coronavírus mantendo muitos agentes ambientais em casa e o país se prepara para enviar tropas para combater a extração ilegal de madeira.

A destruição da porção brasileira da Amazônia aumentou 64% em abril, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados preliminares de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Nos primeiros quatro meses do ano, o desmatamento na Amazônia aumentou 55% em relação ao ano anterior, para 1.202 quilômetros quadrados, segundo dados do INPE compilados pela agência Reuters.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, e os cientistas dizem que sua preservação é vital para conter o aquecimento global devido à grande quantidade de gases de efeito estufa que absorve.

A destruição da Amazônia subiu para uma alta de 11 anos no ano passado e continua a subir em 2020, que os ambientalistas atribuem às políticas do presidente Jair Bolsonaro, que incentivou madeireiros, mineiros e fazendeiros ilegais.

Bolsonaro pediu mais agricultura e mineração em áreas protegidas da floresta, dizendo que é a única maneira de tirar a região da pobreza.

O novo surto de coronavírus complicou os esforços para combater o desmatamento, com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enviando menos agentes para o campo devido a riscos à saúde. A agência disse que reduzirá os agentes de campo em outras áreas de risco, mas não na Amazônia.

"A pandemia não ajudou porque aparentemente há menos agentes por aí, e madeireiros ilegais obviamente não se importam com o vírus em áreas remotas da Amazônia", declarou Paulo Barreto, pesquisador sênior do Imazon, instituto sem fins lucrativos da Amazônia.

Barreto e outros ambientalistas, incluindo os da ONG Greenpeace, disseram que o aumento já estava ocorrendo no ano passado devido a medidas do governo que incentivavam a extração ilegal de madeira, em particular um decreto agora perante o Congresso que poderia dar o título a grileiros que invadiram terras públicas e indígenas.

À medida que o desmatamento dispara, Bolsonaro na quinta-feira (7) autorizou o envio de Forças Armadas para deter madeireiros ilegais e combater o desmatamento e os incêndios florestais na região. Os defensores do meio ambiente dizem que a medida pode ajudar no curto prazo, mas não é uma solução duradoura.

Os agentes do Ibama manifestaram consternação com o desmatamento nos últimos meses, apesar da atual estação chuvosa na Amazônia, o que dificulta a travessia da floresta e geralmente impede a extração ilegal de madeira.

Partes da Amazônia que são pontos quentes para o desmatamento, como o sul do Pará, registraram níveis de chuva acima da média, o que normalmente levaria a uma queda no desmatamento, afirmou Carlos Nobre, cientista de sistemas terrestres da Universidade de São Paulo (USP).

Nobre alertou que as chuvas diminuirão nos próximos três meses à medida que a estação seca ocorrer, que é quando o desmatamento atinge o pico na maioria dos anos.

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