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Drauzio Varella: assim como foi com a escravidão, a sociedade “vai ter que dizer basta para a desigualdade”

Em entrevista ao rapper Mano Brown, o médico lembra como a escravidão era naturalizada pela população, mas "a vontade política da sociedade" fez a situação mudar. "Isso vai ter que acontecer com a desigualdade”

Drauzio Varella, desigualdade social (Foto: Divulgação | Fotos Públicas)

247 - O médico Drauzio Varella fez uma crítica contundente à desigualdade social brasileira e afirmou que “uma hora a sociedade brasileira vai ter que dizer basta” a ela. Em entrevista ao rapper Mano Brown, dos Racionais, no podcast Mano a Mano, ele comparou a sociedade atual com as que conviviam com o sistema estrutural da escravidão, fosse no Brasil ou em outros países.

“As pessoas conviviam com a escravidão. Passavem num lugar, tinha um negro sendo espancado, as pessoas viravam para o outro lado e seguiam o caminho. Da mesma forma que você chega hoje num farol, num sinal de trânsito, e vem uma criança te pedir esmola e você vira o rosto para o outro lado, porque você não quer enxergar aquilo”, comparou.

“Aí chegou uma época que as pessoas falaram ‘vamos ter que acabar com esse negócio de escravidão, é uma vergonha para a humanidade’, tal. Acabou escravidão. Você tem outro tipo de escravo hoje, sei lá, mas não tem aquela estrutura da escravidão. Mas foi o que? A vontade política da sociedade. Isso vai ter que acontecer com a desigualdade”, apontou.

Para Drauzio Varella, “uma hora a sociedade brasileira vai ter que dizer basta”. “‘Ah, o Brasil é desigual’. Quer dizer que somos condenados a sermos desiguais assim para o resto da vida? Deixar essa desigualdade assim para os nossos filhos, os nossos netos? Tá certo isso? É bonito viver num país nessas condições?”.

Em seguida, propôs uma política que seja divisora de águas para mudar o país de uma vez por todas. “Eu acho que nós tínhamos que fazer o seguinte, Brown… um político, um governador, um prefeito, um deputado, qualquer coisa que for feita no Brasil tem que chegar uma hora no Brasil, daqui em diante tudo o que for feito vai ter que ser analisado assim: aumenta a desigualdade social ou diminui? Se aumentar tá proibido, não pode”.

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