Educadores criticam inexperiência do novo ministro da Educação

Educadores e especialistas apontam a falta de experiência do novo ministro da Educação (MEC), Abraham Weintraub, como o principal receio à sua escolha para o comando da pasta; José Celso Albuquerque, doutor em Pedagogia especializado em avaliações pela UFSC, ressalta que "o MEC não é uma empresa ou uma repartição pública qualquer"; "É um orçamento público gigantesco, com um nível de operação difícil, e que requer uma habilidade de gestão e de articulação política"

Educadores criticam inexperiência do novo ministro da Educação
Educadores criticam inexperiência do novo ministro da Educação (Foto: Rafael Carvalho/Divulgação Casa Civil)

247 - Educadores e especialistas apontam a falta de experiência do novo ministro da Educação (MEC), Abraham Weintraub, como o principal receio à sua escolha para o comando da pasta.

José Celso Albuquerque, doutor em Pedagogia especializado em avaliações pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ressalta que "o MEC não é uma empresa ou uma repartição pública qualquer".

"É um orçamento público gigantesco, com um nível de operação difícil, e que requer uma habilidade de gestão e de articulação política. É o segundo nome do governo (como o ex-ministro, Ricardo Vélez Rodríguez) que não possui experiência com a área e vai ter que aprender na prática. E o que a pasta necessitava era de alguém que já tivesse uma experiência para atenuar esse período de estagnação", diz. Os relatos foram publicados no jornal O Globo.

De acordo com o pedagogo, a inexperiência pode ser compensada com a escolha de uma equipe técnica e com conhecimento prévio do setor. "Essa deficiência pode ser corrigida com uma boa equipe. O problema é que suas declarações antigas apontam um caminho muito mais ideológico do que técnico. Se a equipe refletir isso, teremos atrasos muito grandes na área", acrescentou.

Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, o perfil de Weintraub é diferente de seu antecessor na pasta, o que pode indicar uma mudança nos rumos do MEC.

"Vélez tinha vínculo com os olavistas (seguidores do ideólogo de direita Olavo de Carvalho) e militares. Abraham é também próximo aos olavistas, mas é vinculado ao grupo do (ministro da Economia) Paulo Guedes".

Daniel Cara diz temer que o novo ministro priorize propostas econômicas e rejeite pautas como a reformulação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e o Plano Nacional de Educação (PNE), que demandam investimentos na área.

O especialista também afirmou que esforços focados na chamada “guerra cultural” contra a esquerda nas salas de aula podem tirar o foco de pautas prioritárias do ministério.

"Sem o Fundeb, por exemplo, a educação básica pública vira um caos. Trata-se do fundo que repassa a verba para que as cidades consigam manter suas escolas, ter merenda e uniforme. Além disso, sem o PNE, não conseguiremos combater a desigualdade e estaremos mais distantes de ser um país justo e desenvolvido".

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