Efeito Temer-Bolsonaro: 'dava para ver os ossos do corpo do bebê', diz mulher ao relatar subnutrição no Brasil

Coordenadora estadual da Pastoral da Criança, Maria José não teve coragem de pegar uma criança de 8 meses da rede em que estava deitado, em Rio Branco (AC). "A gente podia contar todos os ossos do corpo dele. Não tive reação". São relatos de um Brasil sob sério risco de voltar ao Mapa da Fome com o ultraneoliberalismo de Michel Temer e Jair Bolsonaro

Temer com Bolsonaro e prato de comida vazio
Temer com Bolsonaro e prato de comida vazio (Foto: Alan Santos/PR | Reprodução)
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247 - Lucas (nome fictício) tinha 8 meses e um aspecto frágil. Coordenadora estadual da Pastoral da Criança, Maria José não teve coragem de tirá-lo da rede em que estava deitado, em maio de 2019, em uma casa na zona rural de Rio Branco, capital do Acre. "O que me impactou, ao abrir aquela rede, foi ver ele gemendo, com o olhar parado, sem nenhuma lágrima", afirmou. "E a gente podia contar todos os ossos do corpo dele. Não tive reação". São relatos de um Brasil com sério risco de voltar ao Mapa da Fome. 

De acordo com uma Pesquisa de Orçamento Familiar 2017- 2018, divulgada em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), metade das crianças com menos de cinco anos (6,5 milhões) do Brasil vivia em lares com algum grau de segurança alimentar. O levantamento apontou que 84,9 milhões de brasileiros - de uma população estimada em 207,1 milhões - moravam em domicílios com algum grau de insegurança alimentar no período. Do total, 10,3 milhões enfrentavam insegurança alimentar grave - passavam fome, incluindo crianças. O aumento foi de 43,7% desde a pesquisa anterior, em 2013. 

"Temos famílias aqui que não têm nenhum salário, que me ligam à noite dizendo que não comeram nada o dia inteiro", contou Maria José em reportagem publicada pelo portal Uol. "Famílias em que o pai volta do dia de trabalho sem dinheiro para alimentar todos os filhos. Na pandemia, recebemos muitos pedidos de ajuda, de gente passando fome e vivendo do mínimo, sem casa para morar. Quem era pobre ficou miserável. A situação está se agravando, e muitos se perguntam: 'como vai ser quando acabar o auxílio emergencial (do governo)?'", acrescentou.

Os relatos reforçaram os prejuízos causados pelo golpe contra Dilma Rousseff, em 2016, que impôs ao Brasil uma agenda baseada no corte de investimentos e de direitos. Soma-se a isso a vigência da PEC do Teto dos Gastos, em vigor desde o governo Michel Temer e apoiada por Jair Bolsonaro. A Proposta de Emenda à Constituição congelou investimentos públicos por 20 anos.

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