Eleonora Menicucci: comemorar o golpe desrespeita uma história de terror no Brasil
O presidente Jair Bolsonaro "comete um crime de lesa-humanidade, comete um crime constitucional", critica a ex-ministra, que foi presa e torturada durante a ditadura; para ela, as perspectivas do Brasil não são boas, mas Eleonora promete luta para a garantia da democracia; "Nós estaremos aí, quem sobreviveu até agora está com muita determinação na luta da volta do Estado Democrático de Direito"; assista
247 - Presa política e torturada durante a ditadura militar, a ex-ministra Eleonora Menicucci criticou duramente a decisão do presidente Jair Bolsonaro de comemorar os 55 anos do golpe militar de 1964. Ela afirma, em entrevista à TV 247, que é um desrespeito à história e que o ato é um crime constitucional.
"Mesmo que as Forças Armadas durante governos anteriores celebrassem, elas celebravam fechadamente. Agora vindo de uma determinação de um presidente da República, que foi eleito por maioria, ele comete um crime de lesa-humanidade, comete um crime constitucional, porque ele desrespeita e ignora propositalmente uma história de terror no Brasil", disse ela.
Para Menicucci, o governo caminha para o mesmo cenário do regime militar que vigorou por 21 anos no país. "É um desrespeito à história, à Constituição. É um crime e é um desrespeito por ignorar que existe uma geração que ainda vive para mostrar que de fato a ditadura civil-militar aconteceu e que se nós não tomarmos cuidado, esse governo, autoritário, como caminhar para situações muito graves".
Eleonora lembrou da Comissão Nacional da Verdade, instaurada no governo Dilma Rousseff, a fim de investigar as violações dos direitos humanos cometidos durante o regime militar. "Eu acho que o fato de a Dilma ter tido a coragem de instituir a Comissão da Verdade deu uma resposta a toda geração dela que lutou e foi presa com ela e que vinha há anos reivindicando a instalação da Comissão da Verdade. Sem dúvida nenhuma, eu não tenho a menor preocupação em falar, que o fato dela ter vivido isso deu a ela a força necessária para instaurar a Comissão da Verdade".
Para Eleonora, as perspectivas do Brasil não são muito boas mas promete luta para a garantia da democracia. "As perspectivas não são muito boas não, mas nós estamos aí como sempre estivemos e não deixaremos a pauta da volta do Estado Democrático de Direito, a pauta dos direitos humanos, a pauta feminista, a pauta dos direitos sociais e a luta incessante para que não seja aprovada a reforma da Previdência. Nós estaremos aí, quem sobreviveu até agora está com muita determinação na luta da volta do Estado Democrático de Direito".