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Eleonora Menicucci: sempre será momento de discutir o aborto

Ex-ministra de Políticas para as Mulheres no governo Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci rebate críticas feitas inclusive na esquerda de que a pauta do aborto, aprovado no Argentina nesta semana, alimenta a guerra cultural liderada pelo bolsonarismo. “Todos os momentos são momentos de discutirmos a pauta da diversidade, os direitos reprodutivos e os direitos sexuais. Nós construímos o momento”, disse à TV 247. Assista

Eleonora Menicucci (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Reuters)

247 - Ex-ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci comentou na TV 247 a vitória das mulheres com a legalização do aborto na Argentina na última semana, e disse ter esperanças de que tal gesto possa atingir também o Brasil, mas não com o governo Jair Bolsonaro e com a atual formação do Congresso Nacional.

Para ela, o Brasil tem boas representantes populares feministas para defender o aborto, e que podem ainda receber mais energia com a conquista na Argentina. “Tenho uma esperança muito grande porque nós temos uma frente autônoma pela legalização do aborto, temos jovens atuando, jovens feministas que são referência, que organizaram o ‘Ele Não’, temos idosas, como eu, temos maduras. Quero acreditar que do ponto de vista da mobilização vai influenciar demais, mas eu tenho pouco esperança que com este governo e com esse parlamento nós consigamos avançar nessa pauta. Perspectiva de avançar no Brasil agora eu não tenho nenhuma, mas nem por isso as mulheres vão desistir. Essa é uma pauta das mais importantes”.

Eleonora ainda rebateu argumentos de que o momento atual não favorece o debate sobre direitos sexuais e que uma discussão deste tipo beneficiaria o governo Bolsonaro. “A pauta da igualdade de gênero, a pauta contra o racismo, a pauta da diversidade é estruturante. Todos os momentos são momentos de discutirmos a pauta da diversidade, os direitos reprodutivos e os direitos sexuais. Eu convido, com muito carinho e muito respeito, a pensarem mais no que significa isso de ‘não ser o momento’. Nós construímos o momento. Não há democracia sem igualdade de gênero e igualdade racial”.

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