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Em 2014, Odebrecht esvaziou contas e planejou fuga de executivos

Um dos responsáveis pelo departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, Fernando Migliaccio relatou ao Ministério Público Federal que em 2014, diante de um iminente confisco de informações e de sua eventual prisão, o empresário Marcelo Odebrecht montou um plano de fuga para os funcionários do departamento da construtora que organizava o pagamento de propinas; a empresa iniciou um processo de encerramento das cerca de 30 contas que utilizava para operar o sistema de pagamentos ilegais; "Para fechar as contas, foi montada uma operação segundo a qual o somatório de todos os saldos remanescentes seria devolvido para a Odebrecht", explicou

Um dos responsáveis pelo departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, Fernando Migliaccio relatou ao Ministério Público Federal que em 2014, diante de um iminente confisco de informações e de sua eventual prisão, o empresário Marcelo Odebrecht montou um plano de fuga para os funcionários do departamento da construtora que organizava o pagamento de propinas; a empresa iniciou um processo de encerramento das cerca de 30 contas que utilizava para operar o sistema de pagamentos ilegais; "Para fechar as contas, foi montada uma operação segundo a qual o somatório de todos os saldos remanescentes seria devolvido para a Odebrecht", explicou (Foto: Aquiles Lins)

247 - Em delação premiada ao Ministério Público Federal, Fernando Migliaccio, um dos responsáveis pelo departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, relatou que em 2014, diante de um iminente confisco de informações e de sua eventual prisão, o empresário Marcelo Odebrecht montou um plano de fuga para os funcionários do departamento da construtora que organizava o pagamento de propinas.

"Em meados de 2014, pouco antes de julho, houve a decisão definitiva de Marcelo Odebrecht para que todas as pessoas envolvidas no setor de Operações Estruturadas saíssem do Brasil", relata Migliaccio. A ordem foi dada em uma reunião entre Migliaccio, Marcelo, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho (diretor do setor de Operações Estruturadas) e outros executivos que não tinham relação com a área.

Contas no exterior foram esvaziadas. Assim, a Odebrecht conseguiu resgatar pelo menos US$ 25 milhões antes que os executivos começassem a ser presos e as contas fossem congeladas.

Ao mesmo tempo em que tirava os funcionários do País, a Odebrecht iniciou um processo de encerramento das cerca de 30 contas que utilizava para operar o sistema de pagamentos ilegais. "Para fechar as contas, foi montada uma operação segundo a qual o somatório de todos os saldos remanescentes seria devolvido para a Odebrecht", explicou.

Para realizar a transferência dos recursos, contratos foram elaborados para justificar as operações. Segundo Migliaccio, as transferências ocorreram no segundo semestre de 2015. Um total de US$ 25 milhões foram resgatados, principalmente de bancos na Áustria e em Antígua.