Chico Buarque: cada vez mais vemos a morte de sem terras, indígenas, quilombolas, com o silêncio cúmplice do governo

Em live com o ex-presidente Lula e lideranças do MST, o cantor e compositor Chico Buarque presta homenagem às vítimas do Movimento no massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 camponeses morreram em 17 de abril de 1996 no sul do Pará

(Foto: MST | Reprodução)
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247 - O cantor e compositor Chico Buarque de Holanda participou no início da noite desta sexta-feira, 17, de transmissão ao vivo com líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Chico Buarque relembrou do massacre de de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, quando 21 camponeses foram assassinados, em um dos episódios mais violentos contra trabalhadores rurais no Brasil. 

“Venho dar o meu abraço ao MST por esta data. 17 de abril são 24 anos do massacre de Eldorado dos Carajás. Massacre que é um marco na história dos trabalhadores sem terra, não só pela brutalidade da execução de 21 trabalhadores, como pela impunidade, que aliás vigora até hoje. Cada vez mais a gente vê a morte frequente de trabalhadores sem terra, de povo indígena, de quilombolas, com o silêncio cúmplice do governo federal”, disse o cantor. 

Inscreva-se na TV 247 e assista à transmissão:

Leia também reportagem da Rede Brasil Atual sobre o assunto:

Nos 24 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, MST distribui alimentos pelo país

Para marcar os 24 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, completados nesta sexta-feira (17), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organiza uma série de ações sociais e virtuais em memória dos camponeses assassinados na chacina, um dos episódios mais violentos contra trabalhadores rurais no Brasil. 

Ao todo, 21 camponeses foram mortos – 19 no local e outros 2 no hospital – e dezenas ficaram feridos pela ação policial. Na época, os sem-terra marchavam pela região em protesto quando, nas proximidades da fazenda Macaxeira, foram abordados por policiais militares, que usaram do aparato repressivo contra os trabalhadores. 

Desde então, o MST faz ações para marcar este “abril vermelho” – como é chamada a jornada anual em memória das vítimas. Neste ano, a programação foi planejada dentro das limitações do isolamento social, como mostra reportagem de Leandro Barbosa, para a Rádio Brasil Atual. Estão previstas diversas intervenções virtuais em resgate à memória desses 24 anos do massacre, assim como uma live, que será transmitida via rede sociais do MST, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Distribuição de alimentos e de solidariedade

Seguindo os protocolos de segurança, um pequeno grupo de militantes fará o embelezamento da curva do S, local em que camponeses foram mortos. No Pará, onde as ações se concentram, haverá uma queima de fogos às 17h. No mesmo horário, o movimento em parceria com a  Rede Amazônica de Solidariedade e Resistência distribuirá alimentos produzidos nos assentamentos em comunidades do nordeste paraense. 

Moradora de uma das regiões beneficiadas, o bairro Terra Firme, Abilene Brito se emociona ao falar da importância da ação nesse momento em que muitos sofrem com os impactos da pandemia do novo coronavírus. “A comunidade tem passado por muita necessidade. Tem muita gente desempregada, passando necessidade e fome mesmo. Kits de higiene também não temos, não temos sabão, não tem água sanitária, não tem o básico mesmo”, explica a Abilene.

Nos outros estados, que também vêm realizando diversas ações de solidariedade, o MST incentiva ainda os espaços organizativos do MST a hastear a bandeira do movimento.

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