Empresas da Lava Jato paralisaram obras que já custaram R$ 55 bilhões

As empresas investigadas pela Operação Lava-Jato têm deixado um rastro de obras paradas; 11 grandes projetos estão estagnados, sem prazo para serem retomados. Há casos em que sequer há números precisos sobre o volume de gastos envolvidos, mas é possível dizer que essas construções já consumiram pelo menos R$ 55,7 bilhões; a lista inclui rodovias, ferrovias, metrô, obras hídricas, um campus do Instituto Nacional do Câncer e até uma universidade

As empresas investigadas pela Operação Lava-Jato têm deixado um rastro de obras paradas; 11 grandes projetos estão estagnados, sem prazo para serem retomados. Há casos em que sequer há números precisos sobre o volume de gastos envolvidos, mas é possível dizer que essas construções já consumiram pelo menos R$ 55,7 bilhões; a lista inclui rodovias, ferrovias, metrô, obras hídricas, um campus do Instituto Nacional do Câncer e até uma universidade
As empresas investigadas pela Operação Lava-Jato têm deixado um rastro de obras paradas; 11 grandes projetos estão estagnados, sem prazo para serem retomados. Há casos em que sequer há números precisos sobre o volume de gastos envolvidos, mas é possível dizer que essas construções já consumiram pelo menos R$ 55,7 bilhões; a lista inclui rodovias, ferrovias, metrô, obras hídricas, um campus do Instituto Nacional do Câncer e até uma universidade (Foto: Valter Lima)

247 - As empresas investigadas pela Operação Lava-Jato têm deixado um rastro de obras paradas. Levantamento feito pelo O Globo revela 11 grandes projetos estagnados, sem prazo para serem retomados. Há casos em que sequer há números precisos sobre o volume de gastos envolvidos, mas é possível dizer que essas construções já consumiram pelo menos R$ 55,7 bilhões.

Além das próprias acusações de pagamentos de propinas, dificuldades financeiras enfrentadas pelas empreiteiras e até divergências contratuais com os órgãos públicos têm sido os principais motivos para o abandono dos canteiros. Embrenhados em trâmites burocráticos e com dificuldades de conseguir mais recursos, os entes envolvidos não conseguem retomar os trabalhos e tentam evitar o desgaste do que já foi construído.

A lista inclui rodovias, ferrovias, metrô, obras hídricas, um campus do Instituto Nacional do Câncer e até uma universidade. As consequências da interrupção afetam diretamente a população: com um trecho da transposição do Rio São Francisco abandonado pela construtora Mendes Júnior, a cidade de Fortaleza teme um colapso no abastecimento de água. Projetos como a usina de Angra 3, da Eletronuclear, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras, citados diretamente na Lava-Jato, já consumiram cerca de R$ 6,2 bilhões e R$ 46,5 bilhões respectivamente. Não há perspectiva de quando começarão a funcionar.

Para o Campus Integrado do Inca, a contratada foi a Schahin Engenharia. O valor total previsto para o grandioso projeto era de R$ 526 milhões. Entre 2013 e 2015, de acordo com dados do Portal da Transparência, a empresa recebeu do Ministério da Saúde R$ 37,4 milhões. Investigada na Lava-Jato pela participação num esquema de propinas envolvendo a operação de um navio-sonda da Petrobras, a firma abandonou o projeto do Inca em abril de 2015, alegando dificuldades financeiras.

Outro projeto iniciado pela Schahin e que hoje em dia se limita a esqueletos de prédios é o campus da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu (PR). Após receber R$ 108 milhões, a empresa abandonou as obras em 2015 e ainda entrou em disputa judicial com a União para discutir valores contratuais. 

A Petrobras tem no Comperj, em Itaboraí, seu principal exemplo de abandono. As obras que atraíram milhares de pessoas ao município fluminense foram sendo cada vez mais deixadas de lado, à medida que aumentavam as denúncias de corrupção. Em outubro do ano passado, um consórcio formado por Queiroz Galvão, Iesa e Tecna largou a construção da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN). Sem dar prazo, a Petrobras diz ser essa a atual prioridade de construção. A Unidade de Lubrificantes e a Refinaria 2, que fariam parte do complexo, já foram definitivamente abortadas.

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