Encontro entre Lula e Trump no G7 ainda não está confirmado, diz embaixador
Embaixador Mauricio Lyrio afirma que conversa entre os presidentes não está confirmada; tarifas dos EUA devem dominar a pauta
247 - O possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G7, marcada para os dias 16 e 17 de junho em Évian-les-Bains, na França, ainda não está confirmado. A informação foi divulgada pelo embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Clima do Itamaraty e um dos principais negociadores brasileiros em temas econômicos, em entrevista à Globonews, noticiada pelo jornal O Globo.
Segundo Lyrio, existe a possibilidade de uma conversa entre os dois chefes de Estado durante o encontro das maiores economias industrializadas do mundo, mas as agendas dos líderes ainda estão sendo avaliadas e podem não coincidir.
A eventual reunião ganhou relevância após a decisão de Lula de participar da cúpula em meio ao anúncio de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. De acordo com o embaixador, o tema ocupa posição central na pauta bilateral entre Brasília e Washington.
Sem detalhar a estratégia que será adotada pelo governo brasileiro nas negociações, Lyrio afirmou que o Brasil está aberto ao diálogo para ampliar o acesso de produtos e empresas americanas ao mercado nacional. No entanto, ressaltou que essa abertura deve respeitar interesses considerados estratégicos para o país.
“Esse esforço existe, mas também tem os seus limites”, declarou o diplomata.
A posição brasileira, segundo ele, envolve a preservação de setores relevantes da economia nacional, além do respeito aos compromissos assumidos no âmbito do Mercosul e às normas estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Outro tema apontado como promissor para a cooperação entre Brasil e Estados Unidos é o setor de minerais críticos. Lyrio destacou que o país possui algumas das maiores reservas mundiais de recursos estratégicos, como nióbio, terras raras e níquel, elementos fundamentais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.
O embaixador lembrou ainda que empresas americanas passaram a ter acesso recente a importantes reservas minerais brasileiras, o que, na avaliação do governo, deveria ser levado em consideração na relação comercial entre os dois países.
“O Brasil precisa aproveitar isso, ter um diálogo positivo com os Estados Unidos no tema, mas ao mesmo tempo é preciso haver a contrapartida. Se há acesso a reservas brasileiras, é preciso também haver investimento na agregação no Brasil. Esse é um elemento que aproxima Brasil e Estados Unidos. Mas é preciso haver da parte também do governo americano o reconhecimento de que esse acesso deveria merecer também ao Brasil um tratamento mais adequado em termos de tarifas. esse é outro elemento que desaconselha uma política de tarifas na área comercial”, afirmou.
A expectativa do governo brasileiro é que eventuais avanços nas negociações comerciais possam resultar não apenas na redução de barreiras tarifárias, mas também em investimentos voltados ao processamento e à agregação de valor dos minerais dentro do território nacional, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas e fortalecendo a indústria brasileira.



