Engenheiro da Eletronorte explica “apagão” no Amapá e alerta sobre perigos da privatização

“É muito provável que tenha havido negligência por parte da empresa. Esses equipamentos não deveriam ter falhado", explica Ikaro Chaves, funcionário da Eletronorte, sobre a subestação em Macapá, de propriedade da empresa espanhola Isolux Corsan

Apagão no Amapá
Apagão no Amapá (Foto: Reprodução/Gov. Amapá)
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Por Rogério Tomaz, especial para o 247 - Apesar do “apagão” na cobertura da grande mídia sobre o assunto, todo o Brasil ficou consternado com a situação de quase 700 mil pessoas que ficaram mais de quatro dias sem energia elétrica no Amapá. O blecaute teve início após um incêndio, na noite de terça-feira (3), que ocorreu numa subestação em Macapá, de propriedade da empresa espanhola Isolux Corsan.

O assunto ficou entre os mais comentados no Twitter ao longo da semana, com a maioria dos usuários manifestando solidariedade ao povo do estado, e também figurou entre os temas mais buscados no Google no Brasil neste período.

Em entrevista para o Brasil 247 [vídeo abaixo], o engenheiro Ikaro Chaves, funcionário da Eletronorte, explicou em detalhes a situação, denunciou as responsabilidades da empresa espanhola e apontou o desinteresse do presidente Jair Bolsonaro em relação à crise vivida pelos amapaenses. Leia também artigo dele sobre o assunto.

“É muito provável que tenha havido negligência por parte da empresa. Esses equipamentos não deveriam ter falhado. E se eles tivessem falhado, deveriam ter redundância. E mesmo se a redundância tivesse falhado também, seria necessário ter equipamento sobressalente para que elas voltassem rapidamente ao funcionamento, o que não aconteceu”, enfatizou o engenheiro.

Assista ao vídeo com a entrevista completa:

Privatização

Chaves também alertou para o perigo que a privatização do setor elétrico representa para o Brasil. “A tragédia do Amapá não foi a primeira. E, provavelmente, não vai ser a última causada pela irresponsabilidade de empresas privadas”, disse Chaves, que é dirigente da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras (AESEL).

“A gente tem visto crises seríssimas em toda a região Norte do país. Em Rondônia, onde a tarifa explodiu, onde foi criada, inclusive, uma CPI [na Assembleia Legislativa] para investigar irregularidades causadas pela empresa privada de distribuição. Temos visto isso no Acre, em Roraima, com o aumento absurdo da conta de luz”, acrescenta o engenheiro.

Mas as crises não se restringem à região Norte, alertou Chaves. “A gente tem visto isso aqui no estado de Goiás, próximo a Brasília, uma situação terrível. Desde a privatização, várias cidades ficaram sem luz durante horas, durante dias, às vezes. Isso afeta o abastecimento de água, isso afeta a produção. Produtores rurais perdem a sua produção por conta da falta de energia”, alerta.

De fato, apenas em 2019 foram registradas mais de 3 mil queixas contra a empresa de energia elétrica de Goiás, a italiana ENEL, que chegou a ser multada em R$ 9,1 milhões pelo Procon. O próprio governador Ronaldo Caiado (DEM) chegou a defender a estatização da companhia, mas voltou atrás.

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