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Envolvimento de Wagner no caso Master repercute menos que Flávio Bolsonaro

Levantamento mostra que menções a Jaques Wagner nas redes somaram 181,6 mil publicações, enquanto episódio de Flávio Bolsonaro alcançou 360 mil posts

Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner (Foto: Agência Brasil | Agência Senado )
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247 - O envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, no caso Banco Master gerou nas redes sociais uma repercussão significativamente menor do que a registrada anteriormente após a divulgação de mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os dados apontam que o volume de publicações relacionadas ao petista ficou próximo da metade do observado no episódio envolvendo o parlamentar da oposição.

As informações foram publicadas originalmente pelo blog da jornalista Miriam Leitão, em O Globo, com base em levantamento do Instituto Democracia em Xeque, que monitora o debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok.

Segundo o estudo, foram contabilizados 181,6 mil posts mencionando Jaques Wagner após a divulgação de informações relacionadas à nona fase da Operação Compliance Zero. No caso de Flávio Bolsonaro, as primeiras 24 horas após a revelação das mensagens com Daniel Vorcaro registraram cerca de 360 mil publicações.

Debate digital se concentrou em seis grupos temáticos

O Instituto Democracia em Xeque analisou 1.978 publicações que concentraram aproximadamente 16,3 milhões de interações nas redes sociais. O material foi organizado em seis clusters, definidos como conjuntos de narrativas e vocabulários que circularam de forma articulada ao longo do período analisado.

O principal grupo de conteúdo, responsável por 27% das postagens, abordou as relações entre Jaques Wagner, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre. De acordo com o levantamento, a cobertura da imprensa teve papel relevante na disseminação desse tema.

Já o segundo maior eixo de debate, correspondente a 24% das publicações, reuniu conteúdos que relacionavam Wagner a Lula, além de manifestações em defesa da transparência, da apuração dos fatos e do respeito ao devido processo legal.

Oposição explorou episódio para criticar o governo

A análise aponta que perfis alinhados à direita utilizaram o episódio para reforçar críticas ao PT e ao governo federal. Em diversas publicações, o caso foi apresentado como evidência de corrupção no partido e como sinal de desgaste político da atual administração.

Outro segmento relevante das discussões, representando 22% dos conteúdos analisados, concentrou-se em alegações envolvendo um apartamento avaliado em milhões de reais e outras supostas vantagens indevidas atribuídas ao senador petista.

Ainda segundo o estudo, setores da oposição aproveitaram o caso para impulsionar a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master, além de tentar associar o PT da Bahia à origem do escândalo investigado.

Governistas destacaram atuação da Polícia Federal

Em resposta, apoiadores do governo passaram a enfatizar a independência da Polícia Federal e a disposição do Palácio do Planalto em não interferir nas investigações em andamento.

De acordo com o levantamento, a narrativa governista buscou reforçar a ideia de que eventuais irregularidades devem ser investigadas independentemente de filiação política, sintetizada pela expressão de que, no governo Lula, “quem fez, paga”.

Para Beto Vasques, diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque, a atuação autônoma da Polícia Federal tornou-se um dos principais elementos da estratégia de defesa adotada por aliados do governo durante a crise.

“A autonomia da Polícia Federal é o melhor ativo do governo nessa crise. É o oposto da vitimização bolsonarista. Enquanto Bolsonaro costumava tratar investigações como perseguição quando atingiam seu campo político, Lula pode dizer: ‘investigue quem tiver de investigar’. Mas essa linha só se sustenta se vier acompanhada de coerência política”, afirmou Vasques.