Equipes do GSI de Heleno aproveitam viagens com Bolsonaro para fazer turismo
O "Escalão Avançado" do GSI, responsável pela segurança, infraestrutura e cerimonial de eventos que contam com a presença do presidente da República, estão fazendo viagens mais duradouras, aproveitando a estadia para passear e confraternizar, denuncia a Piauí
247 - Integrantes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, sob o comando do ministro Augusto Heleno, têm aproveitado viagens feitas para garantir a segurança de Jair Bolsonaro para realizar compras e fazer turismo em diferentes localidades do país.
Reportagem da Revista Piauí denuncia que a denominada "equipe precursora", também chamada de "Escav" ou "Escalão Avançado" - responsável pela segurança, infraestrutura e cerimonial em eventos que contam com a presença do presidente da República - viajam com mais antecedência que o costume para aproveitarem dias de folga em praias, por exemplo.
Em 25 de janeiro de 2021 em plena pandemia, a segundo-sargento do Exército Marcelle Silverio Marques publicou foto no Instagram na Praia do Mosqueiro, em Aracaju. "De biquíni, boné e óculos escuros, posou para fotos no Duna Beach Club, um restaurante na orla, e passou a tarde bebericando drinques enfeitados com mini-guarda-chuvas. Tirou selfies na areia com uma dúzia de colegas, todos sem máscara, em trajes de banho, alguns segurando seus copos de cerveja", relata a reportagem.
Na semana de 25 de janeiro Bolsonaro iria a Sergipe inaugurar uma ponte em Propriá. Ele chegou à cidade na quinta-feira (28). O Escav, no entanto, chegou no domingo (24). A tarefa de vistoriar o local que seria visitado por Bolsonaro foi executada já no domingo. Nos dias seguintes, a equipe curtiu praias e restaurantes de Aracaju e fizeram turismo na segunda e na terça-feira, voltando ao trabalho somente na quarta-feira, véspera da chegada de Bolsonaro. Horas após a inauguração da ponte, na quinta-feira, todos embarcaram de volta para Brasília.
O Escav, costumeiramente, precisa de apenas três dias para realizar todo o processo para garantir a segurança do chefe do Executivo.
Questionado, o GSI alegou, em nota, que "o prazo de cinco dias está dentro das normas vigentes", afirmando também que, em governos anteriores, “muitas viagens foram realizadas a Porto Alegre-RS e São Paulo-SP, sedes das residências particulares dos ex-presidentes”, o que facilitaria o planejamento da segurança por já existirem escritórios do GSI nessas localidaes. O GSI também disse que “grande parte das viagens” de Bolsonaro “tem sido direcionadas a outros estados" que não o de sua origem, o Rio de Janeiro.
A realidade, no entanto, é outra. Desde o início do mandato, 86% das viagens de Bolsonaro foram para destinos que não o Rio. No governo Lula, a estatística, considerando a origem do petista em São Paulo, foi de 87%. Na gestão Dilma Rousseff, considerando a origem da ex-presidente em Porto Alegre, a estatística foi de 92%.
O GSI também declarou que “não compactua com qualquer desvio de conduta de seus integrantes”.
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