Escala 6x1 eleva risco de AVC, afirma Deyvid Bacelar
Dirigente da FUP defende redução da jornada para 40 horas semanais e diz que modelo atual prejudica saúde, produtividade e convivência familiar
247 - O coordenador licenciado da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pré-candidato a deputado federal, Deyvid Bacelar, participou nesta terça-feira (15), em Brasília, de uma marcha em defesa do fim da escala de trabalho 6x1. O ato ocorreu um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhar à Câmara dos Deputados um projeto, em regime de urgência, que propõe garantir dois dias de descanso semanal aos trabalhadores.
Durante a mobilização, que reuniu mais de 20 mil pessoas e percorreu a Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, Bacelar destacou impactos da jornada atual sobre a saúde dos trabalhadores. “A escala seis por um, segundo a Organização Internacional do Trabalho, aumenta em 35% o risco de AVC e em 17% a incidência de doenças cardíacas para a classe trabalhadora brasileira”, afirmou.
Ainda no mesmo dia, Bacelar integrou, ao lado de outros dirigentes da Central Única dos Trabalhadores, uma reunião com o presidente Lula para discutir a proposta de mudança na jornada.
O sindicalista defendeu que o novo modelo assegure dois dias de descanso semanal sem redução salarial. “Esse descanso semanal deverá ocorrer preferencialmente aos sábados e domingos, sem redução de salário. A ideia é que a jornada seja reduzida de 44 horas semanais para 40 e garantida aos 45 milhões de trabalhadores e trabalhadoras que estão no mercado formal de trabalho”, explicou.
Bacelar também comparou o cenário brasileiro com experiências internacionais. Segundo ele, países europeus já adotam jornadas mais curtas. “Possibilitar horas de lazer com a família e também tempo para estudar e se requalificar é fundamental para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora”, disse.
Na avaliação do dirigente, o avanço tecnológico e o aumento da produtividade reforçam a necessidade de atualização da legislação trabalhista. “Nada mais justo do que proporcionar à classe trabalhadora um avanço também na legislação trabalhista. Não houve problemas de desemprego nos outros países. Com a redução de jornada as pessoas trabalham mais felizes e há melhoria na produtividade”, afirmou.
Outro ponto levantado por Bacelar foi o impacto do tempo de deslocamento nas grandes cidades. Ele argumentou que a jornada diária, na prática, pode se estender muito além das oito horas previstas em lei. “A jornada de oito horas acaba se estendendo para 12, 14 horas devido ao tempo que se perde em deslocamento de casa para o trabalho”, disse. Ele também destacou a sobrecarga enfrentada por mulheres, especialmente mães solo, que acumulam trabalho remunerado e tarefas domésticas.
O dirigente ainda rebateu críticas do setor industrial à proposta. Ele afirmou discordar da posição do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que se manifestou contra o fim da escala 6x1. Segundo Bacelar, há divergências dentro do próprio setor produtivo. “Há o exemplo de outros países indicando que precisamos evoluir na legislação trabalhista porque será benéfico para a classe trabalhadora e para as próprias indústrias”, declarou.
Atualmente, a legislação brasileira estabelece, no artigo 7º da Constituição, regulamentado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), jornada máxima de oito horas diárias e 44 horas semanais, com direito a pelo menos 24 horas consecutivas de descanso semanal, preferencialmente aos domingos. A proposta em debate busca alterar esse modelo, ampliando o período de descanso e reduzindo a carga horária semanal.