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Esposa de Tarcísio diz que o marido precisa ser o novo ‘CEO’ do Brasil

Manifestação de Cristiane Freitas reacende debate sobre candidatura presidencial do governador de SP, que recuou após pré-candidatura de Flávio Bolsonaro

Brasília-DF - 02/12/2025 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

247 - A primeira-dama do estado de São Paulo, Cristiane Freitas, provocou forte repercussão ao sugerir publicamente que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) seria o nome ideal para comandar o país a partir de 2026. A manifestação ocorreu em um comentário feito nas redes sociais do próprio governador, após a divulgação de um vídeo em que ele adota um discurso de viés nacional e crítico ao governo federal.

Ao comentar o vídeo, Cristiane escreveu: "nosso país precisa de um novo CEO, meu marido!", alinhando-se à retórica usada por Tarcísio no pronunciamento compartilhado.

No vídeo, o governador defende a ideia de que o Brasil deveria ser administrado como uma empresa, com redução do tamanho do Estado, avanço de privatizações e estímulo a investimentos. No discurso, Tarcísio também fez críticas diretas ao Partido dos Trabalhadores e ao atual governo federal. "A verdade é uma só: O Brasil não aguenta mais 4 anos de PT. Estamos limitando o nosso potencial como nação e tirar esse governo atrasado é o único lado que a direita precisa ter em 2026", afirmou.

Casada com Tarcísio desde 1997 e mãe de dois filhos, Cristiane Freitas, de 53 anos, ocupa atualmente a presidência do Fundo Social de São Paulo, tradicionalmente comandado pelas primeiras-damas do estado. De acordo com informações do próprio fundo, ela é formada em gestão pública e construiu sua trajetória profissional atuando nas áreas administrativa e comercial.

A declaração ocorre em meio a tensões dentro do campo bolsonarista. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstram incômodo com a postura do governador paulista, considerada pouco enfática em relação à pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). Esses grupos avaliam que Tarcísio estaria frustrado por não ter sido escolhido como o nome da família para a disputa.

Nos bastidores, lideranças do centrão ainda cogitam a possibilidade de Flávio Bolsonaro desistir da candidatura, o que abriria espaço para o governador de São Paulo. O senador, no entanto, nega essa hipótese. Em nota, o empresário Filipe Sabará, que atua na interlocução entre Flávio Bolsonaro e representantes do mercado financeiro da Faria Lima, relatou ter se reunido com Tarcísio na noite de segunda-feira (12). Segundo ele, o governador garantiu que "dará sim total suporte e palanque necessário ao Flávio, na hora certa".

Apesar da declaração atribuída por Sabará, Tarcísio não mencionou o senador na publicação em que defendeu a saída do PT do governo federal. O governador é visto por setores do mercado financeiro e do centrão como um nome capaz de unificar a direita em 2026. Publicamente, ele mantém o discurso de que disputará a reeleição em São Paulo, mas, desde o ano passado, tem adotado falas com alcance nacional e críticas mais duras ao Palácio do Planalto.

Ainda nesta terça-feira, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) compartilhou outro discurso de Tarcísio com a mesma linha argumentativa. Antes da confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, especulava-se que o governador paulista poderia ser o escolhido para disputar a Presidência, com apoio do ex-presidente e Michelle como vice. A decisão pelo filho ocorreu após episódios de desgaste interno no PL, incluindo críticas públicas feitas por Michelle ao deputado André Fernandes (PL).

Segundo aliados, além de manter o controle da direita no âmbito familiar, a escolha de Flávio também teria o objetivo de conter as pretensões políticas de Michelle. Uma pessoa próxima à ex-primeira-dama relatou que ela havia indicado recentemente Tarcísio como seu nome preferido para a disputa presidencial. Após o anúncio oficial da pré-candidatura do senador, Michelle se afastou temporariamente de atividades do partido, movimento interpretado por integrantes do PL como sinal de insatisfação com a decisão tomada.

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