Esther Solano retruca Ortellado: Bolsonaro é fascista sim

A cientista social Esther Solano refutou a afirmação do filósofo Pablo Ortellado de que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) não é fascista; segundo o estudioso, "entre muitas diferenças marcantes, o bolsonarismo não é nacionalista"; Erther diz que "Bolsonaro é fascista, sim. Só que é um fascismo que se fundamenta sobretudo no conceito do inimigo interno"

Esther Solano retruca Ortellado: Bolsonaro é fascista sim
Esther Solano retruca Ortellado: Bolsonaro é fascista sim

247 - A cientista social Esther Solano refutou a afirmação do filósofo Pablo Ortellado de que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) não é fascista. Segundo o estudioso, "entre muitas diferenças marcantes, o bolsonarismo não é nacionalista".

No Facebook, Esther afirma que "Bolsonaro é fascista, sim". "Só que é um fascismo que se fundamenta sobretudo no conceito do inimigo interno. A nação brasileira não está essencialmente sob ataque externo (ideia que constrói, por exemplo, o fascismo de Le Pen na Europa com seu discurso islamofobico e anti-migratório). Ele é também contra venezuelanos, haitianos (inimigo externo) mas seu dicurso se constrói sobretudo em que a nação brasileira está sob ataque interno!", diz a estudiosa.

"Bolsonaro propõe uma nação patriarcal, branca, heteronormativa, onde o inimigo é o negro periférico, a feminista, o político de esquerda, o professor... Ele mobiliza, sim, uma ideia de nação excludente, só que essencialmente exclui os de dentro que são a principal ameaça. Ele é xenófobo, sim, com venezuelanos, haitianos, bolivianos, mas principalmente com os de dentro. Não tem discurso islamofobico porque aqui não tem muitos muçulmanos, mas tem discurso anti-indígena, anti-quilombola, anti-nordestino", acrescenta.

A sociólogo reforça, ainda, que Bolsonaro "propõe um país onde só os 'homens de bem' sejam cidadãos". "O restante somos inimigos, bandidos, portanto aniquiláveis fisicamente ou silenciáveis. Os PeTralhas devem ser metralhados, os professores devem ser censurados, os jovens negros da periferia mortos. Isso é fascismo, sim!".]

Em análise publicada no jornal Folha de S. Paulo, Pablo Ortellado afirmou que, "independentemente do resultado das eleições, a ascensão de Jair Bolsonaro terá deixado marcas profundas na sociedade brasileira". "Por isso, é preciso um olhar atento sobre o fenômeno do bolsonarismo, para além da caricatura e do insulto. Mais fácil do que determinar o que o bolsonarismo é, é demarcar o que não é. Para começar, não é fascismo. Entre muitas diferenças marcantes, o bolsonarismo não é nacionalista", disse.

"O candidato do PSL também não é um populista xenófobo como os líderes da extrema-direita europeia. Embora tenha dado declarações duras sobre a situação dos venezuelanos em Roraima, seu discurso não é voltado ao combate ao estrangeiro ou ao imigrante, mas aos 'vagabundos', essa espécie de inimigo interno que se desvia da norma social conservadora", complementou.

Conheça a TV 247

Mais de Brasil

Ao vivo na TV 247 Youtube 247